Eu nunca imaginei que teria problemas com o FBI, mesmo sabendo que os Estados Unidos não costuma pedir licença em suas investigações em qualquer país. Claro que não foi a minha movimentação financeira que atraiu a polícia federal americana, alguém estava lavando muito dinheiro na BTC-E, corretora russa que eu utilizava para negociar litecoin.
Foto: BTC-E
No final de julho de 2017, o site da BTC-E saiu do ar sem aviso prévio e a única informação que tínhamos era a conta no Twitter da corretora.
Foto: BTC-E
Eu havia transferido alguns litecoins pra lá e pretendia trocá-los por bitcoin, aproveitando a alta. Em 2017, o litecoin havia passado de 3 dólares para 50 dólares em poucos meses.
Foto: BitcoinWisdom
Mas o FBI tinha outros planos. Prenderam um russo que lavava bilhões de dólares e havia resolvido passear com a namorada na Grécia, tiraram o site do ar e conseguiram acesso a aproximadamente metade das criptomoedas da corretora.
A BTC-E era uma das corretoras mais antigas em atividade e não exigia identificação dos usuários. Qualquer um podia abrir uma conta lá e começar a negociar imediatamente. Apesar do prejuízo, a corretora reabriu na Nova Zelândia e hoje opera como WEX.
Foto: WEX
Parte das criptomoedas, que não foi comprometida pela operação do FBI, foi creditada na conta dos usuários e a outra parte foi convertida em tokens que podem ser negociados no mercado a qualquer momento até o pagamento total de acordo com a possibilidade da corretora. Até agora, aproximadamente 25% dos tokens já foram negociados por 70% do seu valor no mercado.
Levando em consideração que as criptomoedas ainda valem o dobro do que valiam naquela época não chega a ser um prejuízo considerável. Quem negocia em corretoras está sujeito a situações como esta.
Hoje, negocio a maior parte das minhas criptomoedas via P2P e o único risco que eu corro é a minha conta no banco ser bloqueada, mas até lá seguimos negociando. Até a próxima, FBI.
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