Eu já fiz algumas entrevistas na minha curta carreira de jornalista, mas a que mais me marcou aconteceu inesperadamente enquanto aguardava para cortar o cabelo em uma manhã de 2009.
Entre os que aguardavam a sua vez, estava um rapaz empolgado contando histórias sobre a Amazônia. Pela animação, devia estar de férias e dava detalhes do seu dia-a-dia na maior floresta do país.
Muito gaúchos migraram para o norte do país atrás de terras e oportunidade para plantar e criar gado, mas ele havia ido trabalhar em uma madeireira em Rondônia.
Foto: Desmatamento da floresta amazônica
Na época, acompanhava de perto as notícias sobre o aumento do desmatamento na Amazônia e resolvi aproveitar a oportunidade para entrevistar quem entendia mais do assunto do que qualquer pessoa.
Quando perguntei sobre a certificação da madeira, ele respondeu prontamente que ninguém seguia as regras onde ele trabalhava. Quando o IBAMA chegava, eles abandonavam o local por um tempo e depois retornavam.
E as multas? Ninguém pagava, ele me contou. Cada madeireiro tinha milhões em multas, mas para quem trabalha ilegalmente, isso não é um problema.
Revelou também para onde ia a madeira, a melhor era exportada para a Europa, a segunda linha era destinada aos Estados Unidos e apenas madeira com imperfeição permanecia no Brasil.
A seguir, complementou com a frase que até hoje ecoa na minha cabeça: “Ainda tem muito mato, leva uns cinquenta, sessenta anos para a Amazônia acabar.”
A íntegra da entrevista está disponível no blog da jornalista Rachel Glickhouse e no Medium. Muito obrigado pela leitura e até a próxima!
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