Há uma lembrança da infância que sempre me anima.
- O quão alto eu posso subir, pai? Até onde eu quiser?
Essa lembrança me ajuda em cada decisão que pode me levar mais longe. Eu preciso sempre lembrar da resposta do meu pai e vou explicar porque respondeu desta forma.
Eu tinha uns 5 anos e lembro que meu pai sempre me levava ao parquinho que havia perto de casa. Passava horas fazendo castelo de areia para as formigas que, bondosas, não me faziam mal. Mas o meu interesse mesmo era em algo mais emocionante: escalar a longa árvore que havia no terreno do parquinho.
Ela era imensa! Para mim, tão pequeno, gigante!
Lembro de todos os dias meu pai deixar que eu aprendesse a escalar aquela árvore aos poucos e no dia seguinte, mais um pouquinho.
Até que eu me sentisse totalmente seguro do que já tinha aprendido, ele me deixava ir mais alto. Dizia que eu tinha que dar um passo de cada vez. Mas se meu próximo passo não fosse dado com segurança, quanto mais alto eu estivesse, mais feia seria a queda.
Desde então trago isso comigo. Para alguns, eu sou alguém que não aproveita as oportunidades. Mas, para mim, sou alguém que dá o próximo passo sabendo onde estou pisando, se estou firme e se vou dar conta.
E eu sou muito grata por ter partilhado sua lição comigo.
(Estórias de Estranhos)