Saudades do dia em que conheci essa obra. Tive a ideia de vender alguns livros e usar o dinheiro para pegar outros em um Sebo no centro da minha cidade (Curitiba). Nunca tive muito apego à ideia de ter um livro materialmente e guardá-lo como item colecionável. As palavras valem e duram bem mais.
Voltando à história. Basicamente, peguei alguns livros na troca e o mais importante para esse post é “O Xangô de Baker Street”, escrito por Jô Soares. O “Gordo” vem de uma geração do humor importantíssima, que usava da graça como protesto em uma época em que a expressão livre era repreendida. Nunca tinha lido nada dele, mas a sinopse me cativou.
Sobre a história
Em 1886, no Rio de Janeiro, o desaparecimento de um instrumento musical; o violino Stradivarius, presente secreto de Dom Pedro II à baronesa Maria Luíza. Por indicação da artista mundialmente famosa Sarah Bernhardt, que se apresentara no Brasil pela primeira vez, o Imperador convoca uma das duplas mais conhecidas da literatura de ficção policial para solucionar o crime: Serlock Holmes e Dr. Jhon Watson.
Por coincidência, enquanto o detetive viaja até o Brasil, um assassinato misterioso deixa o Delegado Mello Pimenta confuso pela complexidade: uma prostituta foi morta, suas orelhas decepadas e a corda de um instrumento enrolada em seus pelos pubianos. Claramente um trabalho digno da mente de Holmes.
Quais são os destaques do livro?
O trabalho histórico e, ao mesmo tempo, a desconstrução histórica desse livro são sensacionais. O choque entre a cultura da dupla britânica e a brasileira é muito bem explorado. “O Xangô de Baker Street” retrata essa mistura quando, no título, coloca um dos orixás do Candomblé mais conhecidos e populares no Brasil e o nome da rua de Londres em que Sherlock Holmes reside, no número 221B.
Já ouvi algumas pessoas falando sobre a personalidade de Sherlock, que nessa obra se distancia do “padrão” que vemos em trabalhos anteriores sobre ele, mas acredito que esse seja um ponto positivo. A paródia feita por Jô deixa o personagem bem menos “genial” quando faz com que ele erre feio em alguns de seus exercícios de raciocínio dedutivo, por exemplo. Ver um Sherlock Holmes bem mais "humano" foi algo que me surpreendeu e deu valor à comicidade da trama, em minha opinião.
O humor que o escritor explora torna a história extremamente divertida e tem ótimas sacadas relacionadas ao momento histórico em que ela se passa. A investigação do crime acaba virando algo “secundário”, mas ainda assim consegue cumprir a missão de prender a atenção e gerar curiosidade sobre o desfecho.
Se fosse destacar um ponto “negativo”, seria a presença de trechos em inglês e francês sem tradução. Não é nada que atrapalhe muito a leitura por serem bem curtos (normalmente são falas de personagens). Depois de um tempo, consegui até ver como algo positivo, pois isso fez com que eu lesse o livro com o celular do lado para traduzir algumas coisas, o que define meu interesse pelo enredo.
Esse post faz parte do projeto #Clubedolivro
Se você já leu “O Xangô de Baker Street” ou se interessou e pretende ler, pode participar do novo projeto literário criado pela e para comunidade brasileira do Steemit. O livro não é pequeno, mas acredito que é possível finalizá-lo em um ou dois meses.
Vai funcionar assim: comente, caso tenha interesse e vamos manter contato até que no mínimo três pessoas terminem de ler. Assim que isso acontecer, combinamos uma conversa por Discord sobre o livro. Eu vou editar e postar no DSound e a recompensa será dividida igualmente entre os integrantes.
Vale lembrar que esse é um projeto descentralizado. Use a tag #clubedolivro e combine com os seus amigos steemians para gravar e fique vontade para citar ou não as outras criações dentro da iniciativa.
Espero que gostem do livro. É uma das minhas obras favoritas e estou esperando o me devolver para ler de novo, haha (para ser justo, ele me emprestou “O Banquete”, de Platão e ainda não li também).