Eu sou péssimo em lembrar detalhes de coisas que aconteceram há muito tempo, mas com um pouco de esforço a memória vem. Há mais ou menos sete anos atrás, quando dava os meus primeiros passos em direção ao sonho de ser um ator profissional (o que não aconteceu até agora), pego um guia cultural a fim de encontrar uma peça para assistir no final de semana e, enquanto folheio, um anúncio chama a atenção:
Você é o cara engraçado da sua turma? Já pensou em ser um comediante profissional? Quer ter a oportunidade de fazer uma apresentação no primeiro espaço construído especialmente para comédia do Brasil? Envie um texto de sua autoria com duração de até cinco minutos para o e-mail xxxxxxx@xxxxxx.com para participar da noite do Open Mic no Curitiba Comedy Club.
Na verdade, o e-mail não era esse, nem o texto (entrei no site deles para conferir), mas acho que fica mais autêntico se eu deixar do jeito que a minha memória disse que foi.
Aquilo ficou martelando a cabeça durante toda a semana. Sempre que surgia algo que eu (um garoto de 16 anos) achava engraçado, contava para alguns amigos e anotava mesmo que não houvesse reação positiva. O Vinícius de 2011 estava decidido a tentar a sorte como comediante, mesmo aterrorizado com a ideia de ninguém dar risada de suas piadas.
Texto escrito e enviado. Recebo uma resposta. A produtora diz que posso comparecer na casa e participar do evento. Alguns dias depois de ensaiar em frente ao espelho, dando pausa para as risadas imaginárias, chega a quarta-feira que marcou o início da "carreira" desse que vos fala. Meu pai, madrasta, o sobrinho dela e minha tia foram assistir o que poderia ser a noite mais incrível ou assustadora da minha vida. Fui orientado a ir até o camarim para me encontrar e interagir com os outros comediantes da noite.
Não tinha como estar mais deslocado. A partir daí não consigo lembrar de muita coisa. Fiquei repetindo o texto mentalmente para não esquecer e interagi muito pouco com o Mestre de Cerimônias Serginho Lacerda (tempos depois ele virou um bom amigo que deu conselhos e muito apoio enquanto ainda fazia apresentações) e com o resto do pessoal. O tempo passou muito rapidamente e quando me dei conta, estavam chamando o meu nome. Subi as escadas que davam para o palco, cumprimentei Serginho e segurei o microfone com muita força, como se ele quisesse fugir. Minhas mãos suavam, a garganta secou e pensei que ia amarelar. Depois da primeira e segunda risada, consegui ficar um pouco mais a vontade para terminar a apresentação, usando constantemente o pedestal como muleta.
Se tiverem interesse de ouvir piadas surgidas da mente de um adolescente, contadas com total insegurança e gravadas por uma câmera de qualidade horrível, dê play no vídeo abaixo (não venha me culpar depois).
Não foi um dia horrível (apesar de sentir um pouco de vergonha re-assistindo o vídeo) e nem chegou perto de ser a última experiência na comédia, mas isso eu conto em outro texto. Cada vez que subi em um palco na minha vida significou algo diferente e único. Quero muito compartilhar mais desses momentos com vocês, conforme as memórias forem surgindo e eu achar pertinente compartilhar. Agradeço muito por ter lido até o final e peço desculpas por esse não ser um texto engraçado. As piadas simplesmente não surgiram.