Na preguiça do não fazer
Que faço poesia bela
A desvontade do dessaber
Que desprende da cela
Me apego ao desapego
Desapego do emprego
Livre para fazer nada
A ambição aprisionada
Deixo a métrica de lado
Tudo é tão padronizado
Normalidade apavora
Quem nasceu para transgressor
E ignora
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Quase desisti do poema
A desistência me persegue
Preguiça
Abreviação
Vc c/ ctz sbe
Finjo conhecer Jurema
Assim a rima segue
Justiça
Punição
Você já não sabe
Do que estou falando
Peguei no sono e acordei
Pensando
"O que foi isso que criei?"
Mesmo assim publico
Sem falar de amores
Poema desqualificado
E ansioso, como sempre, fico
Para deixar leitores
Decepcionados