Geralmente, em países desenvolvidos a distribuição econômica não é muito acentuada como nos países em desenvolvimento, um bom exemplo disso é a “casta” judiciária brasileira, enquanto aqui um juiz ganha aproximadamente quinze vezes mais que o ganho médio de um trabalhador comum, em vários países europeus, um magistrado ganha quatro vezes mais que a média do trabalhador.
Foto do quadro "O Jantar" de Jean-Baptiste Debret
Muito disso, ainda ocorre por causa de um pensamento escravagista, melhor dizendo, por ainda possuirmos uma elite escravocrata. Os leitores podem achar que isso é loucura, mas não é, muitos estudiosos de diversas áreas tem se debruçado sobre o tema, principalmente os das Ciências Sociais, e, um de seus grandes expoentes é o autor Jessé Souza que expõe esse pensamento no seu livro “A Elite do Atraso”, com uma nova edição subtitulada de “Da Escravidão a Bolsonaro”.
O Brasil possui uma história de 519 anos (tempo da apropriação de terras indígenas pelos portugueses), a escravidão terminou em 1888, portanto apenas 131 anos onde os negros foram libertos, mas largados à sorte, sem nenhum tipo de estrutura educacional, de qualificação de mão de obra ou qualificação intelectual.
Foram eles que deram origem às comunidades – favelas como a classe rica e classe média gostam de denominar para satisfazerem seus egos. Atualmente, essas comunidades, ou para ser mais específico, a classe pobre trabalhadora não é mais constituída apenas por negros, mesmo esses ainda sendo a maioria, hoje o pobre também é branco, índio, oriental, entre outras etnias, a classe dos abastados ainda é basicamente composta por brancos descendentes de europeus, pois eles pensam ser um ultraje essa mistura étnica.
Para a elite brasileira, ainda é difícil enxergar o pobre como ser humano, pois eles ainda possuem o conceito secular de que o pobre é seu escravo, qual o melhor pagamento para a empregada doméstica do que a convivência com seus patrões? Não é necessário pagar altos salários para seus empregados, pois na “favela” não pagam aluguel e a água e luz pagam apenas taxa, para quê querem altos salários ou direitos iguais?
Assim pensa boa parte da elite brasileira, pois suas famílias os ensinaram que o pobre – ou escravo moderno – ao não cumprir sua função deve ser açoitado. A influência disso, se reflete na mídia e no governo.
A educação pública não pode e nem deve ser de qualidade aos olhos dos ricos e governantes, pois a mão de obra escrava não precisava se qualificar culturalmente, sua educação era feita à base do chicote. Saúde pública? Para quê, se o escravo morrer compra-se outro por poucos “contos de réis” (muito atual). Qualidade de vida? Para quê, o pobre pode viver largado na Senzala (as “favelas”) que isso não afetará nada pois sua expectativa de vida é baixa.
Ao final disso tudo, depois dessa vida de subserviência ao Estado, mídia e elite, para dar um alento e sua vã existência, oferece-se a religião como salvação, pois como a bíblia diz: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.
Conveniente isso né? O paraíso estará cheio de pobres que sofreram em vida para “alegrar” seus patrões, muito conveniente tal proposição.
Resta à elite brasileira fazer uma autocrítica e lembrar que durante os 14 anos de governos do PT (sem entrar em méritos de corrupção e afins), houve uma maior distribuição de renda e de oportunidades e que essa mesma elite, também lucrou muito com isso, aos moldes da elite europeia, portanto, logicamente, com o pobre ficando mais pobre, o rico também fica menos rico.
Se não houver essa autocrítica, uma forma de amenizar isso ou de remediar, é a classe média se encontrar em seu contexto. Boa parcela da classe média brasileira pensa fazer parte da elite, coisa que não é, a classe média em qualquer lugar do mundo, nada mais são do que proletários com alguns “upgrades”.
Por fim, a situação no Brasil está ficando cada vez mais caótica, e particularmente, delego boa parcela disso à elite brasileira, principalmente banqueiros, grandes empresários e agricultores como grandes culpados disso, culpados por fazer lobby com diversos governos e usando da sua influência na mídia para aumentarem seus lucros em detrimento à qualidade de vida e dignidade do pobre.
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