Nós brasileiros crescemos ouvindo por todos os cantos que o brasileiro é um povo pacífico, além de outros adjetivos, mas esses deixarei de lado. Mas, essa pacificidade do brasileiro é o termo correto a ser utilizado?
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Somos pacíficos ou passivos, ou seja, teríamos sido “domesticados” a sermos pacíficos? São termos linguísticos que podem influenciar na finalidade do objeto de estudo.
Basicamente, uma população pacífica seria aquela que almeja e busca um estado pleno de paz, o que está longe de ser verdade para o brasileiro, muitas pessoas possuem um discurso de paz, mas, no fundo, só querem ver sangue. Inclusive podemos ver esse fato entre os cristãos, que é uma doutrina que segue um cara que dizia: “amai ao próximo”. Lembrando que as religiões de matizes cristãs somam juntas 86,8% da população brasileira.
Já um povo passivo, é aquele povo que aceita tudo de forma subserviente, ou seja, não possui iniciativa para lutar pelos seus direitos, não faz sua liberdade valer, enfim, uma população que no caso da política, sofre qualquer ação imposta pelo Estado calada e quieta, mesmo que essa ação prejudique diretamente sua existência.
Assim que nem eu, diversas pessoas devem ficar chocadas que boa parte da população reclame demasiado em redes sociais, mas na hora de ir às ruas se manifestar não vão. Muito disso tem a ver com um fator denominado “janela de Overton” (não entrarei em detalhes hoje, explanarei isso no futuro), basicamente a janela de Overton é quando alguém começa a jogar diversas notícias ruins e até divergentes para que com cada “novidade” a anterior pareça aceitável.
Já cheguei à conclusão de que o brasileiro é sim um povo passivo e não pacífico, podemos ver isso atualmente, nas últimas duas greves, a da educação do dia 15/05 e a contra a previdência 14/06, os manifestantes foram duramente criticados pela mídia e por uma boa parcela da população. Muitos diziam: “greve dia de semana é coisa de vagabundo”, “tem que fazer greve final de semana”.
Vale aqui um breve exercício linguístico, a palavra greve significa uma paralisação temporária no “trabalho” decidida de forma coletiva com o intuito de algum tipo de conquista. Portanto, não faz sentido fazer greve aos finais de semana, já que quase ninguém trabalha, talkey?
Atualmente, boa parte da população aceita ser passiva, infelizmente, isso é algo que não mudará tão cedo, pois indiretamente a culpa não é necessariamente dessas pessoas. Isso foi algo “embutido” na mente do povo brasileiro durante esses pouco mais de cinco séculos da nossa sociedade.
Tudo novamente começa lá na escravidão, no tempo que ainda éramos colônia. Os escravos insatisfeitos, os “grevistas” da época, eram castigados e açoitados, mesmo os que não estavam envolvidos, viam aquelas torturas e se amedrontavam. A ideia era justamente essa, a subordinação através do medo. Mesmo a sociedade dita “branca”, sabia de tais fatos e claro, isso assusta a qualquer um, não é à toa que até hoje diversos governos espalhados pelo globo usam a força contra manifestantes.
Após o fim da escravidão, na República Velha especificamente, existiram diversas revoltas populares que foram coibidas com força militar. Logo após veio o Estado Novo de Vargas, que coibiu da mesma forma e ainda introduziu a tortura em sua “cultura” de repressão. Ao final da segunda guerra, houve um período mais pacífico em relação à repressão, até o retorno com a ditadura militar de 64, inclusive o retorno da tortura.
Mesmo hoje após a redemocratização do Brasil, ainda existe repressão, quantas e tantas manifestações de profissionais de diversas áreas, principalmente de professores, são repreendidas pela polícia militar? Até chegarmos a esse ponto de nossa história, que parte de uma parcela da sociedade, uma parcela enfadonha, acredita e prega que: “greve é coisa de vagabundo.
Quem espera que o brasileiro se torne um povo que luta pelos seus direitos e se manifesta como argentinos e franceses, esqueça. O que temos hoje é uma construção social de mais de cinco séculos, por mais que ainda existam pessoas que se manifestem, são meia-dúzia, os que sempre estão lá, não é uma parcela massiva da população.
Da mesma forma, não seremos um país de pessoas pacíficas tão cedo, basta ver o sucesso que programas de cunho policial que apenas mostram desgraças fazem. É isso que o brasileiro quer, o brasileiro não quer paz, quer ver o sangue escorrer, quer ver gente morta na calçada ou no asfalto, quer ver a polícia agredindo ou matando. Muitos inclusive chegam ao êxtase quando veem “favelas” em chamas.
Por fim, como diria Émile Durkheim, são fatos sociais, um baseado na coerção e o outro baseado na generalidade. Mas como qualquer fato social, necessitam de diversas gerações para mudar e nenhum leitor aqui do Steemit que esteja vivo hoje verá isso acontecer, pois precisaremos de mais de cem anos para mudá-los, isso é, se um dia mudar.
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