Hoje trago um texto acerca de uma carta escrita pelo filósofo Epicuro (341 AEC – 270 AEC), esta carta é denominada por: “Carta Sobre a Felicidade (a Meneceu)”. Nesse texto curto ele faz algumas análises acerca da Filosofia, do prazer, da morte e questiona a forma como as pessoas idolatravam os deuses à época.
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Para Epicuro, a Filosofia era o caminho para a vida feliz, isso fica claro logo no início do texto:
[…] Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. […] (EPICURO)
Ou seja, para Epicuro, não havia idade para se dedicar à Filosofia, analogamente, diz que a dedicação à Filosofia é comparável a busca pela saúde de espírito.
Dando continuidade em seu texto, traz uma visão dos deuses da qual faz os religiosos – até hoje – odiarem Epicuro, pois para ele, os deuses são entes imortais e que trazem felicidade, portanto, coisas que não sejam relacionadas a esses atributos, não se referem a divindades ou aos deuses.
Os deuses não podem ser relacionados aos desejos humanos, pois são desejos de entes mortais que nunca conceberão o desejo (ou vontade) de entes imortais, portanto, aqui cai por terra a ideia de que os deuses castigam pessoas más e auxiliam pessoas boas.
[…] Ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. […] (EPICURO)
Talvez essa base epicurista tenha servido aos que pregam o imanentismo, pois Epicuro retira dos deuses o caráter de juízes e exclui totalmente as ideias de “prêmio” e “castigo” que as religiões persistem em manter até hoje, vale ressaltar que Epicuro viveu na Grécia antiga por volta de 2.200 anos atrás.
Seguindo, fala acerca de vida e morte, com um conceito que podemos até chamar de simplista, mas real, pois, a vida é a não-existência da morte e a morte é a não-existência da vida.
Ou seja, quem se aflige à espera da morte pensando que essa lhe trará algum dano ou sofrimento, é um tolo, pois a morte nada mais é do que um estágio pós-vida e quando a vida se esvai, já não existem sensações, portanto, não há sofrimento. Eis aqui outro ponto que os religiosos usam para tentar refutá-lo, pois isso acarreta o fim do “castigo eterno”, o famoso inferno, e, com a dádiva do paraíso aos justos.
Portanto, o sábio é aquele que não enxerga a morte como um mal e nem a vida como um fardo, apenas aproveita o presente e não almeja muito do futuro – apesar de projetá-lo – pois não se sabe ao certo quanto tempo viverá.
Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais. (EPICURO)
Para entendermos a morte dessa forma, precisamos excluir a dor e o medo de nossas vidas e para tal, precisamos conhecer os nossos desejos, são eles que direcionam todas as nossas escolhas, seja pelo lado positivo ou negativo, em outras palavras, o desejo insaciável por comida pode acarretar certos problemas de saúde e o medo pode nos privar de momentos de felicidade.
Os desejos ou são naturais ou inúteis, os naturais podem ser desejos necessários ou naturalmente naturais (desculpem a redundância), os necessários são os indispensáveis para uma boa vida, como a felicidade e a saúde.
Vale lembrar que os excessos são condenados, não podemos viver apenas de banquetes e bebidas pois causam perturbações na alma e sofrimento físico. Mas também não podemos excluí-los, além de prazeroso é saudável desfrutar de uma taça de vinho ou um prato de uma boa comida.
Uma das formas de prazer é habituar-se às coisas simples da vida. Assim diz Epicuro:
Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem termos as vicissitudes da sorte. (EPICURO)
Todos esses questionamentos feitos acerca dos prazeres, levam o ser humano à prudência, onde residem todas as virtudes humanas, inclusive, para Epicuro, a prudência é mais valiosa que a Filosofia, pois sem ela não existe vida feliz e muito menos os conceitos universais filosóficos, o bom, o belo e o justo.
Portanto, o sábio é o que encontra a equidade entre prazer e dor, que busca sempre o conhecimento e autoconhecimento, o que não é arrastado como uma ovelha pelo senso comum.
Será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanham a censura e o louvor? (EPICURO)
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