Este texto é continuação da série que estou escrevendo, o segundo texto pode ser lido no seguinte link: O desenvolvimento do modo de produção capitalista. – Parte 02.
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O problema do liberalismo dentro do sistema capitalista é que ele permite uma enorme concentração de renda por parte dos detentores do capital. Nenhum outro modo de produção permite uma concentração de renda como o capitalismo, podemos olhar na história para analisar alguns exemplos, o modo de produção feudal, o escravista, o manufatureiro, dentre outros.
Nenhum desses citados e nenhum existente, permitiu tal concentração de capital, atrelando isso ao modelo liberal, junção perfeita, como poderíamos dizer popularmente: é juntar a fome com a vontade de comer. Por outro lado, o modo de produção capitalista também é o que gera o maior crescimento econômico, isso é fato que não pode ser negado.
Essa violenta concentração de renda é justamente o que causa desigualdades sociais, pois o trabalhador precisa consumir para sobreviver, automaticamente seu salário voltará de alguma forma aos detentores dos meios de produção, causando assim uma concentração progressiva de renda enquanto o trabalhador fica proporcionalmente mais pobre. Neste ponto vale lembrar da estrutura do edifício de Marx.
Na base desse edifício está o proletariado (infraestrutura) e na parte superior os detentores dos meios de produção (burguesia). A base sempre acaba devolvendo ao topo o seu ganho, isso é o que Marx denominava por mais-valia. Vale lembrar que esse conceito já era estudado antes de Marx, o que ele fez foi sistematizá-lo.
Sem aprofundar muito, mais-valia nada mais é do que: um valor a mais que é gerado pela classe trabalhadora mas que não fica com ela, vai para a mão da burguesia na forma de lucro. É aquele ditado: quem muito trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro. O grande segredo do modo de produção capitalista para aquisição de renda, é se apropriar do excedente de riqueza gerado pela classe trabalhadora.
Em outras palavras, para ficar rico é necessário ser um detentor de algum meio de produção, contratar funcionários, explorá-los e depois ir à mídia dizer que a vida de um bilionário é difícil (como fizeram os herdeiros da BMW dia desses, que provavelmente nunca apertaram um parafuso de nenhum carro ou moto da empresa).
Ou seja, se não existir essa diferença não existe lucro e se ela existir gera uma relação de exploração, uso o termo exploração no sentido amplo da palavra e não de forma comum como costuma ser utilizada, você pode receber, por exemplo, um salário de R$ 50.000,00 e gerar um lucro de R$ 51.000,00, isso caracteriza uma relação de exploração.
Claro que para os meios de produção capitalista isso é necessário, não sou contra empresários terem lucros em suas transações, inclusive, antes de me tornar professor, fui dono de uma agência de publicidade por mais de 10 anos e claro, a intenção era obter lucro nessa relação de exploração da mão de obra trabalhadora, pois se um patrão paga ao funcionário o valor igual ou superior ao que ele gera, a tendência é falir e se endividar.
Aqui fica claro o ódio e desprezo que os liberais e burgueses sentem por Marx, seu pecado não foi cometer algum erro como muitos pregam – a Escola Austríaca por exemplo com seu maior expoente, Von Mises, que basicamente alegava que a liberdade econômica era suporte para a liberdade individual. O pecado de Marx foi demonstrar ao mundo essa relação de exploração entre trabalhador e patrão.
Afinal uma coisa que o capitalismo não concebe é ética pois seria até contraditório ou paradoxal no mínimo, ou seja, para termos um capitalismo ético, essa relação teria que ser igual a zero, se essa relação for igual a zero já não é mais capitalismo. Para existir o capitalismo, nessa relação há que existir essa “apropriação indevida” na exploração de mão de obra do proletário. Portanto, capitalismo justo ou equitativo nunca existirá.
Olhando novamente para a história, no século XIX essas relações foram piores do que são atualmente, naquela época existia uma exploração bem pior do que a que existe hoje, crianças trabalhavam freneticamente em linhas de montagem sem condição ou tempo para estudar, mulheres grávidas trabalhavam até o parto e logo depois eram demitidas, idosos trabalhavam praticamente até morrer, enfim, era o conceito literal de exploração, quase escravidão.
Tudo isso gerou o aumento das desigualdades no Hemisfério Norte, fazendo surgir movimentos trabalhistas, sindicais, comunistas, socialistas e até anarquistas. Até que em 1848, Marx e Engels, no Manifesto Comunista “preveem” a morte do capitalismo. Em parte essa “previsão” foi acertada mas um pouco demorada, pois a grande crise do capitalismo ocorreu em 1929 com a quebra da bolsa de Nova Iorque, lembrando que em 1917 havia ocorrido a Revolução Russa que deveria ter sido um levante do proletário contra o modo de produção capitalista.
E é justamente por causa dessa quebra da bolsa de valores que se começa a rever alguns pontos do capitalismo tornando-o menos selvagem, mas como o texto já está extenso, deixarei a continuação para amanhã, abaixo vou deixar os links para as partes já publicadas.
PARTE I: O desenvolvimento do modo de produção capitalista – Parte 01.
PARTE II: O desenvolvimento do modo de produção capitalista. – Parte 02.
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