Walter Benjamin (1892-1940) é o tipo de pensador que poucos conhecem, até hoje suas obras parecem ser restritas a pequenos círculos da intelectualidade. Mesmo com essa “restrição”, os textos de Benjamin chegaram à Universidade de Frankfurt, lá inclusive, fez diversos amigos, dentre eles Theodor Adorno que publica toda a sua obra postumamente.
Source
Benjamin era filósofo, ensaísta e crítico literário, sua obra está pautada na estética, filosofia, política e história, sendo base de estudo para diversos autores. Como a estética da arte não é a minha área de estudo, vou fazer uma breve análise da sua obra ligada ao historicismo, ou seja, a forma que ele enxergava os fatos históricos ocorridos. Cabe aqui, para começar, uma citação:
A história é objeto de construção cujo lugar não é o tempo homogêneo e vazio, mas um tempo saturado de “agoras”. Assim, a Roma antiga era para Robespierre um passado carregado de “agoras”, que ele fez explodir do continuum da história. A Revolução Francesa se via como uma Roma ressurreta. Ela citava a Roma antiga como a moda cita um vestuário antigo. A moda tem um faro para o atual, onde quer que ele esteja na folhagem do antigamente. Ela é um salto de tigre em direção ao passado. O historicista apresenta a imagem “eterna” do passado, o materialista histórico faz desse passado uma experiência única. Ele deixa a outros a tarefa de se esgotar no bordel do historicismo, com a meretriz ‘era uma vez’. (BENJAMIN, 1994. pág. 229)
Em sua época existia a crença de que a história se repetia, até hoje muitas pessoas pensam assim, o eterno retorno de Nietzsche, ou seja, os fatos se repetem de forma cíclica, vão e vem da mesma forma, na mesma intensidade, ordem e sequência, nada novo, tudo sempre igual.
Essa teoria não se sustenta de forma lógica, talvez por esse motivo Benjamin fosse um crítico, pois para ser dessa forma, obrigatoriamente a história deveria ser perene. Claro, podemos e devemos analisar a história para possuirmos base de fatos ocorridos para podermos perceber certas influências no agora.
É justamente isso que Benjamin nos diz, existe uma descontinuidade nessa ideia linear de tempo, o passado está repleto de ‘agoras”, ou seja, podemos perceber traços do passado no presente mas com novos fatores.
Por mais que estejamos vendo a ascensão de movimentos racistas e xenófobos como já visto em determinado momento da história humana, os fatores hoje são outros, a situação mundial hoje é outra.
Nessa citação isso fica claro quando ele explana o exercício feito pela moda, de buscar no passado uma novidade para o atual, diferente do historicista que busca sempre uma versão eterna dos fatos que eventualmente tornam a acontecer. Já o materialista histórico, é o sujeito que entende a transição dos fatores mas transforma isso em imutabilidade, pois interrompe a sua análise nos fatores históricos, deixando de lado o presente ao qual ele vive.
A história é um “continuum” de fatos, mas que sempre são “rompidos” por fatores e conjunções do agora, dessa forma, a história torna-se apenas uma base para o momento em que estamos vivendo, a história, é uma construção de ”agoras”.
Benjamin que era judeu, foi preso em 1939 pelos alemães na França, suicidou-se com uma dose letal de morfina em 1940 na Espanha logo após ser recapturado junto a um grupo de fugitivos, algumas pessoas dizem que seu grupo foi liberado no dia seguinte para continuar viagem, mas isso não se sabe ao certo.
REFERÊNCIAS
BENJAMIN, W. Sobre o conceito de história. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasilienense, 1994.
Todos os meus posts estão agrupados no Steem Center. Acompanhe: Link.