Esse post trata de uma questão filosófica bastante interessante, que é basicamente o nosso interesse pela realidade nua e crua, assim como ela se apresenta para nós.
Se formos olhar atentamente para o mundo ao nosso redor, é fácil perceber o quanto o ser humano precisa do lúdico para viver. Todo mundo está cansado de saber o quanto a realidade é triste, quanta violência, mortes guerras, doenças. No entanto, abrimos as redes sociais e lá praticamente só encontramos sorrisos, belas viagens, festas felizes e famílias Doriana perfeitas.
Mas sabemos que isso é só uma cortina de fumaça que esconde a realidade subjacente. E que mesmo assim propositadamente fazemos questão de só mostrar o nosso lado da vida “perfeita”, quase sempre movidos pela vaidade e o orgulho.
Como ninguém gosta de se aproximar de “pessoas problemas”, essa é uma reação natural nossa derivada do nosso instinto de socializar. Somos seres altamente sociais, e quase tudo o que fazemos não é para nós, mas para nos exibir para outros. Nos apresentar para o mundo como poderosos, bem-sucedidos, saudáveis e alegres.
Isso explica em partes essa nossa propensão a esconder a realidade, fingir que ela não existe. Mas será que é só por isso? Penso que não. Acho que a Teoria da Evolução tem um papel na explicação disso. Imagina o que acontece com as pessoas que são 100% neutras em relação à realidade, ou seja, que se entristecem com o que veem de ruim com a mesma intensidade com que se alegram com o que veem de bom. O que vocês acham que aconteceria com essa pessoa? Ela seria mais triste ou mais feliz?
Não sei vocês, mas pra mim é claro que a grande maioria das pessoas têm uma vida muito difícil e sofrida, e se elas fossem 100% estoicas e realistas, elas entrariam facilmente em depressão e perderiam até a vontade de viver. Então a Teoria da Evolução nos explica que aqueles que tinham uma atitude negativa desanimada perante a vida tinham menos chances de passar seus genes adiante. Talvez por isso que hoje em dia temos essa tendência tão forte em ser otimistas, mesmo com uma realidade que se revela brutal a cada instante. É aquela velha história: “a vida curte com quem não curte ela”.

Gostou da leitura e quer mais? Aí vão algumas sugestões: