Desde que eu consigo lembrar-me por gente eu posso afirmar que gosto de tomar banho.
É um momento de quebra no dia e traz uma sensação de renovação muito boa. Acho que é algo até cultural, já que vivemos em um país quente e o banho traz este frescor agradável.
Quando a Joana nasceu eu fiquei encarregado de dar banho nela, já que minha esposa precisava se recuperar da cesária e também sentia muito medo de manusear ela na banheira.
Eu não tinha noção de como dar um banho em um bebê e confesso que também morria de medo dela escorregar, entrar água no ouvido, sabão no olho e fazer tudo errado.
Logo na primeira semana, uma amiga nos presenteou com a visita de uma enfermeira especializada em cuidados com o bebê, e tivemos uma aula completa de como cuidar da pequena. Foi o melhor presente para pais de primeira viagem.
Eu achava que iria aprender tudo isso na maternidade, mas hoje em dia funciona assim: “Toma que o filho é seu. Em casa você não terá ajuda de enfermeira, então sigam estas instruções: Mamá a cada 3h, banho 1 vez por dia e boa sorte”.
No começo a Joana chorava bastante durante o banho e aquilo me deixava aflito pois eu queria que aquele momento fosse de relaxamento, então eu tinha que aperfeiçoar a minha técnica.
A primeira coisa que aprendi foi a segurar o bebê. Cabeça apoiada no punho e bracinho pinçado pelo meu dedão e indicador. Desta forma não tem como o bebê escorregar e ela ficava soltinha na água.
Depois eu comecei a conversar com ela. Eu não conheço nenhuma canção infantil além de atirei o pau no gato (logo a que eu sei é politicamente incorreta) então resolvi ficar inventando canções com rimas qualquer. O que importa é o tom da voz mesmo. Isso ajudou a mudar o foco dela do banho para a minha voz e com isso, acredito eu, fez com que ficasse mais a vontade dentro da água.
Lugar de banho é na cozinha
Moramos em um apartamento pequeno de 50m2. O espaço é limitado e nosso banheiro é do tamanho de um lavabo com um chuveiro anexo. Impossível abrir uma banheira lá dentro, sendo assim o único espaço que sobra para a banheira é na única mesa da casa que divide a cozinha da sala.
Fico imaginando a Joana chegando na escolinha, a professora perguntando “Qual lugar da casa que se toma banho?”, e todo mundo berrando “Chuveiroooo!!”e a minha pequena: “Cozinhaaaa!!!”. Coisas da vida moderna.
Pequena sereia
Acho que minhas técnicas estão funcionando. Obviamente ela ainda não pode falar, mas é visível como curte ficar dentro da água.
Todo dia por volta das 20h a banheira quentinha a espera, na cozinha. Os banhos costumam ser longos e depois de devidamente limpa eu curto deixar ela brincando com a água.
É impressionante como parece se sentir a vontade e destemida. Inclusive ela adora ficar de barriga para baixo e dando chutes na água como se já dominasse os movimentos que precisa fazer para nadar.
Agora estou começando a experimentar dar banho no chuveiro, porém, esta é ainda um missão um pouco arriscada, pois é difícil segurá-la toda ensaboada e como o espaço é pequeno, a água espirra no rosto dela com frequência, causando desconforto. Mesmo assim, ela não reclama do banho.
E continuo aprendendo a cada dia e me sinto orgulhoso de ter assumido este papel diário com ela. É nosso momento exclusivo e parece que o dia fica incompleto se por acaso não dou banho nela. Aliás, acho que sinto até um ciúmes quando vejo outra pessoa dando banho na pequena, mas isso é só besteira de pai babão.