O SDO - Solar Dynamics Observatory da NASA registrou no último dia 13 de agosto um longo e estreito buraco que se abriu na atmosfera do Sol. Estima-se que seu comprimento seja de cerca de 700.000 km. Trata-se de um Coronal Hole, ou Buraco Coronal em português. Um Buraco Coronal nada mais é que uma região onde o campo magnético do Sol se abre, deixando a passagem livre para partículas subatômicas.
Assim, por esta fenda na Coroa Solar, escapa o que é chamado de vento solar, um sopro de partículas subatômicas, em sua maioria eletricamente carregadas, com alta velocidade e que são ejetadas para o espaço.
O vento solar é um dos objetos de estudo da sonda Parker lançada no domingo, 12 de agosto, rumo ao Sol. Saiba mais em dois posts que publiquei aqui recentemente:
Uma parcela deste sopro de partículas ejetadas do Sol no dia 13 de agosto vai atingir a Terra em breve. Quando? Vamos fazer uma conta rápida.
A velocidade do vento solar é em média de V = 400 km/s. A distância Sol-Terra é próxima de ΔS = 150.000.0000 km. Assim, o tempo Δt de viagem das partículas do vento solar da nossa estrela até a Terra será:
Δt = ΔS / V = 150.000.000 km / 400 km/s = 375.000 s (valor aproximado).
Um dia tem 24 h x 60 min/h x 60 s/min = 86.400 s. Logo, 375.000 s / 86.400 s = 4,3 dias (valor também aproximado).
As partículas ejetadas do Sol devem chegar à Terra em 4,3 dias a contar do dia da abertura do Buraco Coronal, 13 de agosto, ou seja, 17 de agosto, próxima sexta-feira.
Na Terra, tais partículas eletricamente carregadas são desviadas pelo campo magnético terrestre nas regiões de baixas latitudes. Mas nas latitudes mais altas, nas regiões mais próximas dos pólos, estas partículas devem penetrar na atmosfera e provocar os belos fenômenos das auroras¹.
Pequenas tempestades geomagnéticas são esperadas aqui na Terra com a chegada deste fluxo de vento solar. Nestes eventos de menor intensidade podemos ter interferências passageiras nas telecomunicações por ondas eletromagnéticas. Tempestades geomagnéticas intensas, em tese, podem oferecer maior risco até mesmo de queima de equipamentos eletrônicos. No entanto, não existem relatos de que isso tenha acontecido aqui na Terra e acredita-se que um evento intenso seja pouco provável, embora não impossível.
Num dos primeiros posts do Física na Veia! aqui no Steemit, falei sobre o fantástico trabalho do SDO no monitoramento constante da dinâmica solar. Confira aqui.
Abraço do prof. Dulcidio. E Física na veia!

¹ Auroras boreais acontecem em torno do polo norte terrestre enquanto autoras austrais nas regiões circumpolares sul. Como temos muitos habitantes em torno do polo norte mas quase ninguém morando perto do polo sul, estamos mais acostumados com autoras boreais, sempre relatadas pelos observadores humanos. Mas pergunte aos pinguins do polo sul e eles vão confirmar: as auroras austrais existem!