Sobre 1 e 2:
Todo sistema tem seus vícios. No Brasil, o país do "jeitinho", nem se fale. Deveria haver mais inteligência fiscalizando os bolsistas e suas pesquisas e criando mecanismos para minimizar tais distorções. Mesmo assim, as bolsas mantém uma massa crítica de pesquisadores ativos importante para o país e, portanto, precisam existir pelo bem da nossa Ciência.
Sobre 3:
A pesquisa de base, penso eu, não tem que estar preocupada com aplicações diretas. Empresas de tecnologia é que devem ter um olhar atento às pesquisas de base para aproveitar o conhecimento puro e transformá-lo em tecnologia. Quer um exemplo? O fenômeno da Magnetoresistência Gigante, Nobel de Física 2007, chamou a atenção da Apple para a possibilidade de construir um HD de alta capacidade mas de tamanho reduzido. Nasceu assim o icônico iPod Classic com armazenamento de 160 Gb. O fenômeno foi descoberto em 1988, época em que nem sonhávamos com iPod. Coube à Apple entender que havia ali uma oportunidade ímpar de fazer um equipamento revolucionário e gerar/ganhar dinheiro.
Mas esse tipo de ação só acontece se existir um "ecossistema" completo de pesquisadores financiados por dinheiro público ou pela iniciativa privada e empresas conectadas a eles. Cabe ao Governo, com inteligência, criar e manter tal ecossistema, incentivando as pesquisas e incentivando as empresas de tecnologia e inovação para que se instalem no país e utilizem o conhecimento aqui gerado. É um projeto para anos, com visão de futuro, algo com o que sonho mas nunca vi acontecer por estas terras.
Abraço. E Física na veia!
RE: O corte de verbas da CAPES e o perigo do apagação científico e educacional brasileiro