Sempre me questionei sobre o porquê do suicídio e quais os factores que levam um indivíduo a suicidar-se.
Por um lado, considero que as pessoas que cometem o suicídio têm que ter uma coragem imensa, por outro questiono as razões que levam os indivíduos a cometeram este acto. Será o desespero? Será porque estão fartas de lutar contra as agruras da vida?
Ao longo da minha vida tive conhecimento de diversos casos, de suicídios, que me impressionaram. Por mais que tentasse não conseguia encontrar um denominador comum para as histórias que me iam contando. Cada história, aos meus olhos, era um acto individual. Relataram-me suicídios de jovens, idosos, pessoas com uma situação financeira e social estável, indivíduos com graves problemas, etc..
Para se tentar profundar esta questão é incontornável a leitura e reflexão sobre a obra “O Suicídio” do sociólogo, francês, Émile Durkheim.
“Chama-se suicídio todo o caso de morte, que resulta directa ou indirectamente de um acto positivo ou negativo praticado pela própria vítima, acto que a vítima sabia produzir este resultado”
Durkheim Emile, O suicídio
Durkheim trata o suicídio de forma não psicológica, mas de forma social. Procurou padrões empíricos em diversas sociedades, seguindo o método comparativo. Desta observação o sociólogo define quatro tipo de suicídio do ponto de vista sociológico:
O suicídio egoísta - que resulta de uma individualização excessiva e cujo grau de integração do indivíduo na sociedade não se apresenta suficientemente forte;
o suicídio altruísta - que ao contrário resulta de uma individualização insuficiente.
o suicídio anômico - que se relaciona com uma situação de desregramento, típica dos períodos de crise, que impede o indivíduo de encontrar uma solução bem definida para os seus problemas, situação que favorece um sucessivo acumular de fracassos e decepções propícias ao suicídio.
O último tipo de suicídio é o suicídio fatalista. Embora Durkheim o visse como de pouca relevância contemporânea, ele acreditava que isso acontece quando um indivíduo é regulado demais pela sociedade. A opressão do indivíduo resulta em um sentimento de impotência diante do destino ou da sociedade.
Com base no estudo das estatísticas, Durkheim, concluiu que as taxas de suicídio eram maiores entre os homens do que mulheres, maiores para os solteiros do que para os casados, maior para as pessoas sem filhos do que pessoas com filhos, maior entre os soldados do que entre os civis, e mais elevados nos tempos de paz do que em tempos da guerra.
Assim, segundo a visão de Durkheim, as causas do suicídio encontram-se em factores sociais e personalidades não individuais. Ao analisar o grau em que as pessoas se sentem integradas na estrutura da sociedade e o seu meio social como fatores sociais produtores do fenómeno, o sociólogo, argumentou que as taxas de suicídio são afectadas pelos diferentes contextos sociais nos quais eles emergem e, ainda que os humanos se vejam a si mesmos como indivíduos que têm liberdade de arbítrio e de escolha, os seus comportamentos são frequentemente padronizados e moldados socialmente.
A investigação desenvolvida por Durkheim leva-nos a visualizar a maneira como tal fenómeno, tão aparentemente individual, desenvolve-se a partir de todo um complexo quadro social. Algumas pistas para isso é a constatação de que toda sociedade apresenta uma específica taxa anual de suicídios.
São produzidos, anualmente, relatórios de entidades credenciadas nesta matéria, que comprovam que o número de suicídios aumenta sempre que ocorrem crises profundas nas sociedades.
Do meu ponto de vista concordo que a sociedade molda e padroniza muitos dos nossos comportamentos. Certamente que há suicídios que podem, e são, explicados por factores sociais, mas outros serão actos individuais. Lembrei-me, por exemplo, do suicídio de um individuo que está com uma doença grave. Para mim, este caso, é um acto individual.
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Feliz segunda-feira!!!