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(continuação).
Então investi como deve ser no assunto e fui em busca de Garcia Marquez, Luiz Zafón, Isabel Allende, Steinbeck, Eça, Murakami e tantos, tantos outros que me esvaziaram as horas negras e encheram o coração com a pródiga beleza dimensionada pelos seus contos.
Regressei intermitente ao meu casulo adolescente, na romântica glória com que Eurico, o Presbítero enfrenta platonicamente esse amor que teima em desaguar em fozes distantes, ardeu-se-me a alma de guerras de coragem Tolstoianica, e voltei a atravessar múltiplos e fabulosos universos na peugada dos clássicos de Verne, esse Julio que tardes- de-verão-a-fio se recostava na minha cama com uma maçã numa mão e um livro noutra.
E fui novamente a adolescente mais velha da geração de sessenta, auto-companheira do mais plácido recatamento, com a estranheza dum forasteiro ao sol com metade do milagre dentro das bibliotecas municipais e à distância de uma requisição assinada. Número de sócio:... não mais recordei.
Aos poucos, regressou-me a curiosidade. O mundo com todo o seu rico e abundante conteúdo voltou a apaixonar-me como uma primavera há muito esperada.
Ressuscitei o interesse eclético pela história das civilizações antigas, pela mecânica dos fenómenos da física, da matemática ou do corpo humano…em suma, informação infinita que vivia ao meu redor e comprovava quão insignificante era o meu mundo interior. Desafiada a relativizar a dimensão do meu ego ensimesmado perante a grandeza e inesgotabilidade do universo, da natureza, do homem e sua criação, pude olhar finalmente para o exterior da minha sombria caverna.
À medida que percorria esta espiral ascendente, perpassei os terrenos do pensamento filosófico e espiritual. Devorei Brian Weiss, Richard Bach, Paulo Coelho, Tolle, Linspector, revi Sócrates, Platão, Hegel, e lancei-me na busca de pensadores contemporâneos que alimentassem o meu recuperado entusiamo. Daí às artes foi um sopro; em menos de nada submergi em poesia de todos os tempos e sucumbi o sortilégio das “belas-artes”.
A vida suspensa retomava o seu lugar. As cores regressavam-me aos olhos e à face, a fé instalou-se de braço dado com o um no(i)vo ânimo - e este casal ocupou, finalmente, o espaço da matéria negra.
Foi-me concedido disfrutar de um período de completude, que durou alguns anos, até eu vir a quebrar inadvertidamente este equilíbrio precário, ao decidir que havia mais coisas para saborear na vida e predispôr-me para uma vida social compatível com uma solteira pronta para conhecer alguém.
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