O personagem "Militante", interpretado por Marcelo Adnet é um produto interessante de analise. E por que a Globo permite um quadro em sua grade de programação que levanta a bandeira anti-globo?
A primeira questão é que o mundo e a própria Globo tem mudado bastante. Ignorar as críticas que a emissora tem sofrido nas redes sociais é ignorar seu público alvo. As mudanças de postura da Globo começam em 2013, quando em um editorial do Jornal O Globo pedia desculpa por ter apoiado o Golpe Militar de 1964. Fato mais que sabido por todos mas nunca admitido pela empresa.
Já em 2017, após a hashtag #globolixo atingir os trends topics mundial, a globo fez uma ação de contra propaganda e com uma campanha que dizia:
"Todo Brasil assiste a Globo. São mais de 100 milhões de pessoas todos os dias. Mas a gente sabe que não fala com esse tal de 100 milhões; a gente fala com 100 milhões de uns. Uns diferentes dos outros. Uns gostam da gente. Uns dizem que não."
Mas a grande verdade é que sua estratégia de liderança e manipulação de opinião é sagaz. Nada no meio de comunicação tão poderosa como a Globo é por acaso. Quando a Globo autoriza a criação de um personagem que fale mal deles, a intenção é de criar uma caricatura dessas pessoas. Fazê-las perderem a credibilidade e diminuirem seus argumentos junto aos outros. Fomenta uma especie diminuída de críticos.
Então na verdade não se trata de uma autorização para se falar mal de sua empresa, trata-se de uma estratégia, mesmo que arriscada, de criar um estereótipo de seus críticos.