Bom dia á todos.
Nas postagens passadas eu escrevi sobre depressão, como ela se forma, o motivo de se formar, o estigma que ela cria e como tratá-la. Hoje quero escrever sobre a necessidade dos psicólogos de buscarem ajuda psicoterápica para resolver seus conflitos.
Uma coisa que muitas vezes me surpreende é quando um paciente, amigo ou alguém que convive comigo diariamente comenta sobre como eles admiram o terapeuta porque eles nunca devem ficar sobrecarregados pelas questões pessoais que todos possuem, nem pelas questões ouvidas dos pacientes.
Isso é um grande embuste, pois, psicólogos não são deuses, são seres humanos falhos que podem falhar em seu julgamento sobre si próprios e sobre os outros. Em geral, profissionais da área clínica possuem maior auto-conhecimento e empatia que a maioria das pessoas, mas, mesmo estando nessa condição, não quer dizer que saibam lidar com tudo que está dentro de si e que, principalmente, conseguem enxergar tudo que faz ter seus pensamentos, sentimentos e comportamentos.
Em termos figurados, é mais ou menos como pensarmos que por mais que um cabeleireiro tenha muito conhecimento em sua área e seja muito eficaz na aplicação desse conhecimento, ele não conseguirá cortar o próprio cabelo sozinho, pois há uma parte atrás de sua cabeça que ele não consegue nem enxergar, nem alcançar. Entendem??? É a mesma coisa com psicólogos, não conseguimos nem enxergar nem alcançar todos os nossos traumas, então, é impossível trabalhá-los sozinhos.
Se não trabalharmos nossas questões emocionais e resolvermos tudo que está dentro de nós que possa nos causar conflito, não conseguiremos atender os pacientes com eficácia. Não adianta apenas o conhecimento e desejo em ajudar o outro, que é muito importante em nossa profissão, é extremamente necessário que saibamos lidar com uma situação para não ficarmos presos nela quando o paciente apresentá-la.
Por exemplo, vou falar de algo que vejo em uma parte das psicólogas, principalmente nas que possuem menos de 30 anos que julgo atrapalhar muito um atendimento. Essas moças já tiveram namorados ou maridos que as fizeram mal. De alguma forma, foram agredidas por eles, principalmente com traição conjugal. Isso cria um certo ressentimento nelas e quando entram em contato com um paciente, homem, que fala que trai a esposa ou namorada, seu julgamento começa á ser parcial em vez de neutro e "inconscientemente" começa á tratar mal o paciente. Não é tratá-lo mal verbalmente, mas ficam com um certo ranso , fazendo com que o rapport( confiança terapeuta entre paciente e psicólogo) diminuam ou torne-se inexistente, dificultando muito o processo psicoterápico , as vezes, até atrapalhando-o se a pessoa tiver maldade.
Outro exemplo, é um psicólogo(a) que tenha sofrido algum tipo de abuso do(s) progenitor(es), seja ele físico ou verbal e que tenha deixado muita mágoa dentro de si. Se a pessoa não tiver trabalhado isso e for atender alguém que passe pela mesma situação, possivelmente esses sentimentos virão á tona na mente no psicólogo e tanto durante quanto depois do atendimento, um forte de mal-estar estará presente em sua mente, atrapalhando tanto o paciente quanto a si próprio.
Vou colocar um vídeo aqui que explica muito bem essa questão da necessidade do psicólogo clínico trabalhar essas questões para poder realizar de forma ética seu trabalho, não sei quem o criou, mas foi uma idéia de gênio. Olhem por favor:
Viram como mesmo o psicoterapeuta sendo um senhor bem experiente que trabalha os problemas dos pacientes junto á eles, sentiu-se bem desconfortável quando seu trauma entrou em contato com um trauma parecido do paciente????
Viram o que precisou ser feito para resolver a situação??
Esse vídeo é bom demais, sempre que vejo me dá um uma sensação boa, não sei descrever, mas para mim, foi algo de gênio a simplicidade com que ele foi feito.
É isso pessoal, espero que tenham gostado e se tiverem dúvidas ou comentários, fiquem á vontade.