Credit: Paramount Pictures / edited by Kubrickamente
Mais do que um filme sobre uma investigação policial e as dúvidas daí nascidas, a caça ao assassino em série, cujo nom de plume empresta o título à obra de David Fincher, é uma viagem escura pela obsessão, pelo modo como esta nos pode transformar e tomar conta da nossa vida, um abismo que se visita sem nunca haver certeza do regresso. Apesar de imergir o espectador numa realidade violenta e desconfortável, o objeto de culto do trio dinâmico composto pelo detetive Toschi (Mark Ruffalo), o jornalista Paul Avery (Robert Downey Jr.) e o cartoonista, e escritor, Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) não é esta entidade malévola e mediatizada que se dá pelo nome de Zodiac, mas sim a necessidade neurótica da sua materialização. A premência de fazer coincidir aquela besta omnipresente com um corpo e um rosto. A cura impreterível para a falta de respostas, a urgência inerente ao ser humano por um desfecho convincente, uma conclusão. Com este retrato ambíguo da busca por um dos serial killers mais famosos de sempre, Fincher oferece-nos a verdade frustrante de que nem sempre teremos o que desejamos, que as respostas que pretendemos poderão nunca surgir.