No dia 02 de setembro de 2018 uma tragédia assolou o bicentenário Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro e sendo a mais antiga instituição cientifica do Brasil, que foi destruído por um incêndio.
Imagem: Band
Seria uma grande falta da minha parte, como historiador, não declarar meu profundo pesar por conta do ocorrido no Museu Nacional no Rio de Janeiro. Foi em 1818 que Dom João, fugindo das invasões Napoleônicas, fundou o então Museu Real, que tornaria-se nosso Museu Nacional.
Imagem: Agora no Mundo
Durante os últimos duzentos anos, seu acervo cresceu, somando mais de 20 milhões de ítens. Entre eles inúmeros são irrecuperáveis, não apenas para o Brasil, mas para a humanidade como um todo. Entre eles:
- Luzia a Mãe de todos os ameríndios e brasileiros, fóssil humano de 11 mil anos achado na região da Gruta da Lapinha, MG, era o mais antigo descoberto no país e mais conservado das Américas. Também havia lá vários outros esqueletos antigos dos primeiros brasileiros, alguns que não chegaram sequer a serem estudados.
- Maxakalisaurus Topai, o maior dinossauro já montado no Brasil, encontrado em Minas Gerais
- Múmias de habitantes da américa pré-colombiana, como uma encontrada no deserto do Atacama, no Chile, que datava entre 4.700 e 3.400 anos
- O maior acervo de cultura egípcia da América Latina, incluíndo o caixão e a múmia da cantora-sacerdotisa Sha-amun-em-su (cerca de 750 a.C.), sendo uma das únicas do mundo ainda fechada em seu sarcófago, o caixão do sacerdote Hori (entre 1049 a 1026 a.C.), que foi o guardião do harém real de um faraó, além da tampa do caixão de Harsiese (cerca de 650 a 600 a. C.) e estatuetas, estelas funerárias e amuletos.
- Artefatos de diversos povos indígenas brasileiros, como tikuna, tukano, paresi, nambikuara, kadiwéu. Além dos povos de África e também do Pacífico, como polinésios, melanésios e neozelandeses.
Não há espaço para ingenuidades. A quem interessa esse incêndio? Porque não houve investimento mínimo para garantir a manutenção e conservação do patrimônio? Desde 2014 havia um projeto aprovado para reforma estrutural do Museu, esperando apenas a liberação do dinheiro do BNDS (cerca de R$20 Milhões), que saiu apenas este ano.
Imagem: Radar da Bahia
Um dos que resistiram
Entre os 10% que resistiu ao fogo foi o meteorito Bendegó, feito de ferro e níquel tem cerca de 2,20 metros e 5,2 toneladas, o maior siderito já encontrado em solo brasileiro foi achado no sertão da Bahia em 1784.
Imagem: Uol
Algumas das manchetes das primeiras 24h
Unesco compara incêndio no Museu Nacional, no Rio, à destruição de Palmira, na Síria | Fonte
Vice-diretora do Museu Nacional diz que incêndio destruiu cerca de 90% do acervo | Fonte
Relatos de falta de verba e abandono do Museu Nacional remontam à década de 1950 | Fonte
Verba destinada ao Museu Nacional encolhe R$ 336 mil entre 2013 e 2017, aponta consultoria da Câmara | Fonte
Paleontólogo de MG sugere que acervo do Museu Nacional permaneça destruído para lembrar 'descaso e abandono' | Fonte
Museu Nacional: só 2 de 13 programas presidenciais citam proteção a museus | Fonte
Itens mais preciosos do Museu Nacional queimaram, dizem funcionários | Fonte
Reitor da UFRJ e diretor do Museu Nacional responsabilizam governo federal pela falta de recursos | Fonte
O ajuste fiscal de Temer na tragédia do Museu Nacional | Fonte
Museu Nacional conseguiu R$ 20 milhões para reforma em 2014, mas governo federal não aplicou verba | Fonte
Todo o acervo da coleção egípcia do Museu Nacional foi perdido em incêndio | Fonte
Museu Nacional já teve visitas de Albert Einstein, Madame Curie e Santos Dumont - Juscelino Kubitschek também esteve no local em 1958 e teria sido o último presidente a visitar o local, de acordo com diretor da instituição, há 60 anos | Fonte
Imagem: EBC
Além da profunda tristeza, do sentimento de fratura histórica, de centenas de pesquisadoras e pesquisadores que ficaram órfãos de suas fontes. Nós profissionais da história só podemos garantir uma coisa. Não deixaremos de escrever a história que os poderosos não querem ouvir. Não deixamos que ninguém esqueça daqueles que sofreram no passado, daquelas que foram subalternizadas. Nós jamais deixaremos de escrever a história que alguns poucos não que seja escrita!
Não esqueceremos e não deixaremos que façam esquecer!
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