Muitos filmes e séries brasileiras de qualidade acabam não ganhando tanto destaque no circuito comercial por diversos motivos. Sem levar em consideração os principais fatores, muito menos tentar algum tipo de defesa ou explicação para tais, eu acabo me atentando para aquilo que considero importante de um panorama apenas subjetivo e nada técnico.
Dessa forma, em geral, observo que as produções falham por não abordar tanto diálogos consistentes e profundos. Falta a personificação de tipos reais, tudo acaba muito caricatural e generalizado sem uma proposta de análises de comportamentos.
Uma das produções que conseguem quebrar essas barreiras com maestria é Psi, da HBO Brasil. Obviamente, que pelo tema abordado isso era mais do que esperado. Indicada ao Emmy Internacional, a narrativa acompanha os casos tratados pelo psiquiatra, psicólogo e psicanalista Carlo Antonini, interpretado por Emílio de Mello.
Carlo Antonini, interpretado por Emílio de Mello em cena
Criada e escrita pelo psicanalista Contardo Calligaris, baseada em seus romances Conto do Amor e A Mulher de Vermelho e Branco, a série aproxima o telespectador da rotina do médico dentro e fora dos consultórios expondo suas fraquezas e virtudes como homem e profissional.
Sua vida é dedicada a profissão que ama e atua de forma notória. Nas horas vagas, ele investiga por conta própria crimes complexos da Capital paulista. No âmbito pessoal, ele convive com uma ex-mulher, um filho e dois enteados, os quais mantém uma convivência saudável. Os contratempos da vida são aliviados com sua colega de trabalho, Valentina (Cláudia Ohana), e o amigo coveiro, Severino (Raul Barretto).
Emílio de Mello e Cláudia Ohana em cena
Os personagens principais acompanham a vida e a história do protagonista a cada novo episódio, enquanto os secundários são apresentados de uma forma misteriosa e impactante. É como se Antonini nos ajudasse a entender cada caso complexo tratado ou não. Paralelamente, a exposição de sua vida deixa margem para entendermos ou julgarmos ele e suas convivências.
Aparentemente, parece que estamos invadindo ou desmistificando um terreno tão pouco comentado ou explorado: a vida de um médico como Antonini que muitas vezes parece um herói para seus pacientes, pois demonstra tanta sabedoria e calma diante de algumas situações incontroláveis, por exemplo quando conseguiu desarmar um homem apenas conversando.
Estreada em 2014, a série anunciou sua quarta temporada em 2018, ainda sem previsão de lançamento.
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