O Colorido de Nosso Idioma
Hoje, o Projeto Lusofonia traz um apanhado sobre as formas de se expressar em português pelo mundo. Muitos pensam que, por conta da colonização portuguesa pelos continentes, o idioma falado será compreensível aos viajantes de hoje a esses quatro cantos tão distintos. Ledo engano! Por ser algo completamente dinâmico e flexível, a língua varia de diversas formas, ganhando coloridos inimagináveis quando em contato com outras culturas e sociedades. O estudo da linguagem é verdadeiramente fascinante!
Dialeto, Pidgin e Crioulo
Conceito de Dialeto
O dialeto nada mais é do que a variedade de uma língua, já constituída, dentro de um país ou, até mesmo, quando comparada com outros países que possuem o mesmo idioma. De acordo com este conceito, há dialetos dentro de uma mesma unidade federativa, ou seja, quando a língua é utilizada em grupos sociais diferentes e, dentro desses grupos sociais ainda há variação dialetal, onde se pode encontrar diferenciação na pronúncia das palavras, utilização da gramática e, ainda, no sotaque como um todo. Quando comparamos dialetos transcontinentais, como o caso do Brasil, Portugal, Angola entre outros, deve-se levar em conta o fato da miscigenação. A partir do contato com culturas nativas, a língua toma proporções outras, fazendo com que os dialetos, ou melhor, variações dialetais sejam ainda mais profundas.
O Brasil apresenta dialetos diferentes, apesar de alguns linguístas discordarem desse fato. O dialeto do sul do Brasil é diferente do dialeto nordestino, não só pelo fato de possuírem sotaques diferentes, que já é uma característica marcante para se constituir um dialeto, mas porque há variações no nível semântico, ou seja, no emprego de determinadas palavras e seus significados. Entretanto, o país é bastante coeso com relação à expressão de sua identidade através do português, não causando qualquer problema de entendimento entre os habitantes de todas as regiões da nação.
Conceito de Língua Pidgin
A língua pidgin, ou simplesmente pidgin, é considerada uma língua de contato, ou seja, usada apenas para uma conversação de entendimento rápido entre povos que possuem línguas diferentes e tentam a compreensão mútua, normalmente para se estabelecer uma negociação comercial.
À época das grandes navegações, os portugueses encontraram muitas culturas e, com isso, barreiras linguísticas que impediam qualquer espécie de negociação entre eles. É exatamente neste momento que nasce a língua pidgin, a partir de uma necessidade. Essa língua possuía uma estrutura gramatical muito rudimentar e uma extensão vocabular mínima.
No Brasil, houve uma língua geral, proveniente do tronco da língua tupi, logo no início da colonização, quando os portuguese tentaram um contato com os nativos da região, e desenvolvendo-se até, mais ou menos, 1750. Essa língua, mais tarde, foi abolida por conta de uma Lei instituída pelo Marquês de Pombal, dando-se ênfase apenas ao português.
Conceito de Língua Crioula
E, dessa necessidade de comunicação entre povos com línguas tão diferentes, a língua pidgin pode continuar sua evolução, caso seja utilizada em larga escala, crescendo e variando até atingir o status de língua crioula. É exatamente neste momento que a língua de contato ganha o status de língua de idioma nativo de um grupo de falantes, sendo essa nova língua utilizada em todos os âmbitos de sua vida em sociedade.
Gramática e lexicalmente falando, as línguas crioulas desenvolvem-se amplamente, desenvolvendo melhor suas sentenças e agregando/formando vocábulos de forma contínua para a expressão do pensamento quando a situação assim o exige. As línguas crioulas são identificadas de acordo com a base de sua origem, ou seja, língua crioula de base portuguesa, ou de base francesa, e assim por diante.
Vale lembrar que, por serem línguas crioulas, isso não quer dizer que sejam idiomas mais pobres, muito pelo contrário, não há idioma pobre no mundo, mas idioma que cumpre funções e todos trazem seus diversos coloridos e magia a quem quer que os fale ou estude.
José Saramago
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