Sento-me perto da janela para ver o tempo passar. Abro bem meus olhos, arregalo-os até que doam bastante, mas não o vejo. Eu consigo senti-lo. Sinto-o nas dores em minhas costas; sinto-o quanto minha pressão sobre e preciso medicar-me; sinto-o em minhas rugas e nas manchas senis que surgem em minhas mãos e braços. Que engraçado! É possível, então, tocar no tempo através de mim mesmo.
Olhei para baixo e vi os transeuntes nas calçadas lidando com o tempo a sua própria maneira. Voltei a atenção para mim mesmo e percebi o quanto havia envelhecido. Senti o peso dos anos em meus ombros, na falta de forças em minhas pernas, na debilidade de minha visão que já não tinha a capacidade de enxergar tão bem. Talvez essa fosse a explicação para não observarmos o tempo. Ele, como um bom amigo, arranca-nos os sentidos físicos para ser notado com os únicos olhos que nunca serão cegados: os olhos da alma.
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Crônica de minha autoria, criada em 03 de setembro de 2017.
Abraços,
Publicação de 06 de setembro de 2017.