Já há algum tempo, desde o início da década de 90 no Brasil, que temos a companhia da Internet em nossas vidas. E ela chegou de supetão! Sim, nada de chegar de mansinho, não. Como dizemos por essas bandas brasileiras, "ela já chegou chegando", causando "frisson" em todos nesta nossa América do Sul.
Eu me lembro bem disso. Estava na universidade àquela época, já terminando minha gradução, e a única coisa que eu ouvia pelos corredores era isso: "Internet". Alguns meses depois, escutei a palavra "e-mail" e, daí por diante, a coisa começou a piorar, porque tudo o que acontecia era nublar o meu entendimento sobre essa geringonça!
Primeiro Contato
Quando escutei a palavra "e-mail", e eu pronunciava erradamente (gente, eu fala "in-mail" e, um dia, passei a maior vergonha por conta disso em sala de aula; depois conto), fiquei pensando em como enviar mensagens mais rapidamente para minha penfriend na Alemanha. Seria muito bom conversar com ela pelo menos uma ou duas vezes por semana.
Fui atrás da informação e sobre como poderia enviar uma mensagem de "in-mail" para ela. Saí do prédio da Letras e visirei o Centro de Tecnologia, que ficava logo em frente. Perguntei tudo o que pude, fizeram uma conta para mim em uma tal de "Telnet" (foi a única coisa que eu consegui entender sobre o que eles estavam falando) e que, por ali, eu poderia enviar mensagens. Eu fiquei imaginando: nossa, que máximo, eu poderei conversar com a Suzanne. A emoção tomou conta e fui para a sala de computação. Gente, pasmem, havia uma fila GIGANTE para usar uma máquina (que era o computador da época, e eu nem sabia que aquilo era computador) que estava no centro da sala. Não me dei por vencido e fiquei esperando.
Minha Vez
Chegara minha vez, umas três horas depois. Eu havia perdido aula, perdido minha sessão de iniciação científica com minha orientadora acadêmica, tudo pela vontade de mandar uma mensagem para minha amiga. Sentei na cadeira, olhei para meu inimigo, aquele computador enorme na minha frente e, na mesma hora, já me deu vontade de fazer o número 2 de tanto que eu estava nervoso. Caraca, qual botão apertar? Como poderia fazer isso aqui funcionar a meu favor? Onde escrever aquele endereço de in-mail que o rapaz da computação me havia dado? Dei-me conta de que não sabia nada sobre aquilo.
Olhei para trás na esperança de pedir ajuda e percebi mais de cem pessoas com umas caras muito violentas e, até mesmo, demoníacas, olhando para mim. Caras do tipo: se você não andar logo, você vai aprender computação no céu (ou no inferno), porque vamos te mandar para lá. Bom, o jeito era tentar. Comecei a apertar um botão aqui e outro ali. Fui lendo o que aparecia na tela, configure isso, configure aqui, e eu apertando "Y" para tudo, até que apareceu uma caixa de texto com o seguinte dizer: "You need to reboot. Do you want to reboot now?" Nem preciso dizer o que aconteceu, não é?
O computador fez um barulho enorme e desligou na minha cara! Sabe quando a gente sente o corpo gelar? Gente, sem sacanagem nenhuma, eu senti um frio tão assustador, que a minha vontade era de sumir. Mas como passar pelos alunos que estavam esperando atrás de mim?
Fuga
Enfim, eu me levantei, peguei a mochila e saí da sala com a maior cara de pau do universo! Eu só sei que, quando passei pela porta, eu apertei o passo, porque já estava escutando um rebuliço na sala em que eu estava. Começou um falatório por conta do computador desligado, e eu não queria que me pegassem para averiguações. Olha, eu nunca corri tanto na minha vida pelos corredores da faculdade de Tecnologia da UFRJ. Acho que, até hoje, eles devem lembrar dessa história, porque, das duas, uma: ou eu apenas reiniciei o computador e era só esperar que ligasse novamente (naquele tempo, em que só havia aquele computador mega enorme na universidade inteira, que tomava a sala TODA, vocês podem imaginar o tempo que aquilo levou para ligar de novo), ou eu simplesmente reiniciei o computador deixando-o novamente no osso, ou seja, apaguei tudo! Do jeito que eu sou sortudo, acho que foi essa segunda opção que aconteceu!
Bom, acho que Deus gosta de mim, porque consegui me graduar, ainda consegui entrar no Mestrado, e as pessoas não me reconheceram, deixando-me viver até hoje para contar essa história para vocês.
Notinha: o pior de tudo não foi quebrar o único computador da universidade inteira, mas sentar na frente da máquina para passar uma mensagem para minha amiga da Alemanha, e eu nem sabia se ela tinha in-mail. Gente, realiza: como é que eu conseguiria passar uma mensagem para alguém se eu não tinha o endereço da pessoa? Pois é. Eu estava me sentindo tão feliz naquele dia, e eu não sei se era só isso, porque, para mim, parecia até que eu tinha usado tóchico, que nem me dei conta de que precisaria de um endereço para enviar uma mensagem. Eu só pensei em escrever e pronto. Chessus, que jegue!
Abraços,
Publicação de 30 de agosto de 2017.