Boa tarde pessoal!
Hoje retorno aqui com a Rotina de Estudos, venho trabalhando no artigo onde trouxe aqui o Delírio de Infestação parasitária, conhecido como Síndrome de Ekbom, e nesse meio tempo, já li 15 artigos, incluindo a incrível descrição original de K. A. Ekbom.
Agora estou terminando o resumo que tenho que enviar até o dia 30/03/18, para comissão do congresso, para ver se eles irão ter interesse na apresentação do relato no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, no grupo de ensino e prática clínica.
Vou trazer aqui o resumo, quando estiver pronto, ainda está indo e voltando para minha supervisora, que também participa da construção do caso, já que eu não sou ninguém na fila do pão, todo artigo tem que ter supervisão de uma referência da área estudada, quanto mais respeitada cientificamente é a referência, mais válido a confiança na descrição do caso a ser apresentado, e também contribui para aceitação do caso pela bancada de avaliação.
Enquanto isso vou trazer uma área de estudo que venho conhecendo, e que vejo como muito interessante e importante, que é a Psicogeriatria.
Fonte:Pixabay
Venho tendo a oportunidade de aprender mais sobre esse tema, já que na faculdade não é um tema muito proposto, e nesse ano, frequentando o serviço da UFRJ pela residência, tive a grata surpresa de poder conhecer melhor, e trazer aqui para o steemit, ao conhecimento de quem também tiver o mesmo interesse.
A Psicogeriatria é o ramo especializado da psiquiatria que se ocupa das perturbações mentais do idoso. Visando dar conta no modelo biomédico, na aplicação dos conceitos na dimensão do estudo psiquiátrico, à crescente população de idosos, direcionando o estudos metodológicos, para definir, sistematizar, e avaliar fatores demográficos, económicos-sociais e culturais para o adoecer mental no período da senescência.
Tendo em vista que o grande marco é diferenciar o envelhecer fisiológico, do patológico, e até que ponto a medicina pode se propor a atuar de acordo com as limitações da dinâmica humana do envelhecimento.
Nas aulas de pediatria sempre os professores traziam o ditado "criança não é adulto pequeno", e não foi diferente nesse curso, logo no início a professora trouxe um paralelo a esse ditado e disse "o idoso não é um adulto velho".
Cada biologia de acordo com a idade e expressão fenotípica diante do meio, vai se apresentar de maneira diferente, por isso as generalizações empíricas, não cabem na ciência biomédica, o que se propões é o estudo específico do caso a caso, para que as valorações de termos específicos que se repetem no caso a caso, possam guiar a sistematização e validar cada termo estudado.
E com os esses dados, podendo validar ou não a verdade anterior, por isso a ciência não para, e descobertas são feitas a cada dia, o que não é o bastante para serem aplicadas, só pode ser aplicado em prática, o que é recomendação de cada especialidade, onde as diretrizes direcionam as validações através de metodologia científica, com metanálises, revisões bibliográficas e ensaios clínicos, onde cada estudo tem sua qualidade em termos de valor de evidência.
Então o que interfere na saúde mental do idoso ?
Hoje em dia vivemos um grande número de demência em todo mundo, e no Brasil também, o aumento da expectativa de vida, traz junto transtornos decorrentes do envelhecimento celular.
Historicamente é sabido que o esquecimento aumenta com a idade, contudo com as diferentes proporções de apresentação desse esquecimento, com diferentes consequências, causando grande transtorno ao indivíduo e a sua família.
Com a evolução científica e tecnológica, através da variedade de apresentações, anatomia patológica e exames de imagens como a Ressonância Magnética, o que antes era a clínica das demências, posteriormente foi subdividida de apresentações de demência, como Alzheimer, Vascular, Frontotemporal, por Corpúsculos de Lewy, por Parkinson, e outras.
Hoje o nome preconizado pela nosologia atual que é o DSM V, é Transtorno Neurocognitivo Maior, que consiste em prejuízo cognitivo, prejuízo funcional e alteração de comportamento.
Os dados validados mostram que a prevalência da apresentação aumenta com a idade, e dobra a cada 5 anos após os 65 anos. Com maior incidência a partir de 85 anos, e maior frequência no sexo feminino.
Em 2015, 415 milhões de indivíduos foram acometidos por esse transtorno, e com consequências econômicas, que é o infelizmente temos que demonstrar para o Estado e muitos entenderem a importância de estudar essa área, que é um custo aproximadamente anual de 818 bilhões de dólares, onde o abandono das atividades laborativas do jovem, para cuidar do idoso tem grande peso nesse valor.
No Brasil, ainda em transição demográfica, a proporção de idosos aumenta progressivamente, ocorrendo de idosos que em média tem 85 anos, ainda não tem um "local" social, e direcionamento de cuidados maiores, é uma categoria que não existia a 50,60 anos atrás. Também é curioso o fato de que a demência é maior em países de menor PIB.
No sintoma de esquecimento, que todos nós temos, e o idoso normalmente tem mais, devido a lentificação fisiológica do envelhecimento celular, e consequentemente dos processos cognitivos, não sendo esquecimento por si só justificar uma intervenção.
De acordo o DSM V, hoje podemos dizer que estamos diante de um Transtorno Cognitivo Maior quando:
A - Evidência de declínio significativo do funcionamento prévio em 1 ou mais domínios cognitivos baseados em:
- Preocupação do indivíduo, informando suas referências em cuidado de saúde
- Declínio cognitivo documentado
B - Interfere diretamente com atividade de vida diária, com perda da funcionalidade.
Sendo seus especificadores as subcategorias que seriam as entidades clínicas sindrômicas como já citados, sendo a Demência de Alzheimer a principal causa de demencial atualmente.
Lembro que Doença de Alzheimer, contempla a Demência de Alzheimer, podendo o paciente com Doença de Alzheimer não necessariamente ter demência, a demência é consequência da evolução da doença, onde o diagnóstico precoce e tratamento em muitos casos diminuem a progressão da demência, dando melhor qualidade de vida aos acometidos e aos seus familiares.
Também é importante o cuidado e parceria, com os envolvidos no cuidado do idoso,e o Cuidador de Idosos, que tem um curso que abrange a formação técnica, é uma parceria muito importante nesse cuidado, devemos trabalhar juntos.
Em todo quadro sindrômico de declínio cognitivo, é necessário afastar outras causas, como envelhecimento normal e declínio cognitivo leve, transtornos psiquiátricos (ex depressão), Demências reversíveis (ex: deficiência vitaminas do complexo B, hipotireoidismo), Delirium (quadro confusional agudo).
Em sequência pretendo trazer mais sobre o assunto. Obrigado pela leitura!
Atenção! O presente texto é uma interpretação com base no estudo de referências das ciências médicas, não sendo uma ciência em si, ou representando a fidedignidade de uma elaboração cientifica, servindo apenas e tão só ao intuído informativo.
Sites brasileiros para quem tiver alguém na família, ou queira informações sobre o discutido hoje:
APAZ - Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer
Associaçao Brasileira de Alzheimer
Referências Bibliográficas para elaboração do texto:
1 - DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association, 2013.
2 - Are sex and educational level independent predictors of dementia and Alzheimer's disease? Incidence data from the PAQUID project. - J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1999 Feb;66(2):177-83.
2 - The Prevalence and Incidence of Dementia Due to Alzheimer's Disease: a Systematic Review and Meta-Analysis. - Can J Neurol Sci. 2016 Apr;43 Suppl 1:S51-82. doi: 10.1017/cjn.2016.36.
3 - Every 72 seconds someone in America develops Alzheimer’s - 2007 - https://www.alz.org/national/documents/Report_2007FactsAndFigures.pdf
5 - Dement Neuropsychol 2011 June;5(Suppl 1):91-98 - http://www.demneuropsy.com.br/imageBank/pdf/v5s1a08.pdf
6 - Revisão dos principais genes e proteínas associadas à demência frontotemporal tau-positiva - http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v18n1/1809-9823-rbgg-18-01-00201.pdf
7 - Declínio cognitivo e demência associados à doença de Parkinson: características clínicas e tratamento - http://www.scielo.br/pdf/rpc/v34n4/a03v34n4.pdf
8 - Panorama prospectivo das demências no Brasil: um enfoque demográfico - http://www.scielo.br/pdf/csc/v18n10/v18n10a19.pdf
9 - Revisão sistemática sobre prevalência de demência entre a população brasileira
http://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/108745