Boa noite pessoal!
Antes de iniciar, volto a agradecer pelo apoio ao projeto saúde do , que está sendo muito bom. Devo retornar com esse projeto sábado ou domingo.
Hoje vou retornar a rotina de estudos, em um retorno ao primeiro post da rotina de estudos, seguindo na linha da ciência médica. E em um construção com objetivo de mostrar também, como vivemos em um tempo que os saberes deveriam se convergir, e não divergir ao ponto que está.
Como assim? A ciência médica vem se afastando do estudo da linguagem na dimensão psíquica, que é a psicanálise, como trouxe no primeiro post, pela ciência em geral, e principalmente a ciência médica ter um conceito de medicina baseado em evidências. E evidências são dados reproduzidos com sistematização, que se reproduzem em padrões, o que podemos dizer , como uma metalinguagem.
Assim evoluímos muito em muitas áreas, e consequentemente na biomedicina, o que nos traz muitos benefícios, em prevenção, diagnósticos e tratamento. Por outro lado, a ciência por dados, acaba se distanciando, nesse momento, da singularidade do ser humano, pois cada um tem uma genética específica, uma criação, vivenciam sua realidade.
Então seguirei caminhando trazendo um pouco de cada conhecimento que for lendo, e semana passada trouxe a necessidade de fazer um artigo científico, e a dificuldade de tentar fazer um artigo que traga a ciência, mas não uma ciência sem sujeito.
Ainda estou lendo os artigos, primeiramente separei nove, e cheguei a ler cinco. E vou trazer aqui sobre a leitura, e o que significa a Síndrome de Ekbom, ou Delírio de Infestação Parasitária.
O delírio de infestação parasitária, vem sendo discutido e relatado desde o século XIX, e a partir desses relatos, o médico austríaco Karl Axel Ekbom, relatou uma série de casos, com 6 casos do qual chamou “delírio dermatozóico”. Que recebeu o epônimo de Síndrome de Ekbom, no qual nos casos relatados, os pacientes apresentavam uma queixa de que vermes e micróbios os infestavam, e por vezes saíam pela pele.
Antes vou trazer uma explicação resumida do que seria um delírio. Delírio é uma palavra que vem do latim, delirare, que decompondo-se podemos analisar que, de – desvios e liros – trilha, sair dos trilhos, ou desviar dos trilhos. Que seria hoje uma crença dentro da realidade subjetiva do indivíduo, que não se reproduz na realidade em comum, uma alteração que seria do pensamento, onde não se tem dúvidas, há a certeza de que está acontecendo o relatado, um falso juízo, causado em decorrência ao sofrimento psíquico.
Para ser um delírio, deve-se afastar causas orgânicas, onde nesse caso, realmente poderiam ter algum parasita ou organismo, infestando o indivíduo. Como piolho, pulga, o berne, escabiose, e outras causas. Então o delírio sempre vai ser diagnóstico de exclusão.
Podem ocorrer também, o é chamado de alucinação, que são alterações nos sentidos, onde o paciente realmente sente que está coçando, ou saindo, ou vendo esses organismos, sem haver alteração real do sentido, somente subjetivamente, e pode ocorrer de ter o sentido, não ser uma alucinação, como uma coceira, e o indivíduo dar uma interpretação subjetiva dele aquele sentido.
Retornando Ekmom, defendeu em seu estudo, que existia uma síndrome que representava uma entidade clínica, que reunia sinais e sintomas em comum, que seriam de ocorrência rara, a infestação envolvia o couro cabeludo, comumente em mulheres de meia idade ou idosas, de natureza crônica, respondendo mal a medicação e aos tratamentos da época.
A partir de então, foram se publicando relatos de casos, e discutindo-se e estudando, o que poderia ser esse quadro. Imagina o sofrimento de uma pessoa, que realmente acredita que está sendo infestado por verme, e fala com os médicos, parentes, outras pessoas, e ninguém acredita. E vive aquela realidade do verme está saindo da pele, chegando em muitos casos, a se auto mutilar e na epoca nao ter nada o que se possa fazer para ajudar aquela pessoa.
E assim, fiz uma busca na base de dados científicos, artigos recentes, sobre qual a visão de agora sobre essa síndrome, e os dados nos levaram até o momento, a descrever como uma síndrome que pode acometer, dentro das nosologias atuais, indivíduos e excluindo os acometidos por organismos, os indivíduos com transtorno mental de origem orgânica como diabetes mellitus, demência ou abuso de substâncias.
Nos quadros ditos primários, que não são de origem orgânica, pode acontecer, no espectro da esquizofrenia, transtorno depressivo maior, transtorno delirante persistente, retardo mental, transtorno afetivo bipolar, e até em uma condição conhecida como folie a deux (loucura a dois), que é quando duas pessoas muito próximas, que convivem muito tempo juntos, quando um indivíduo desenvolve um quadro psicótico primário, o outro pode desenvolver também, mas secundário ao desenvolvimento do primeiro indivíduo.
O grupo de pessoas que são mais observados ou que podem ser categorizados como grupo de maior incidência, para essa apresentação psicótica, são mulheres, de meia idade ou mais idosas, solitarias, com baixa escolaridade, com relacao com diabetes mellitus, retirada de antidepressivos da classe dos inibidores seletivos de serotonina, podendo acometer qualquer parte do corpo.
O que na descrição de Ekbom, já sinalizava uma descrição bem consistente, mudando nos dias de hoje as perspectivas de tratamento. Onde a psicoterapia, e/ou às medicações como antipsicóticos e antidepressivos, têm tratado com sucesso, os casos que chegam aos especialistas.
Isso porque não é comum chegar esses indivíduos até o psicólogo e psiquiatra, justamente porque o acometido pelo delírio, tem o juízo que é real, e que não vai a tratar o que para ele é real. Até relutando esses tipos de atendimentos. Chegando mais a clínica de dermatologia e clínica geral.
Então conhecemos melhor juntos, o que é a Síndrome de Ekbom, contudo a síndrome não nos mostra quem é, e porque aquele indivíduo em decorrência a um sofrimento psíquico insuportável, apresenta em sua realidade, uma representação de infestação parasitária, chegando coçar, cortar e lesionar a pele para eliminar esses organismos que o habitam.
Bom pessoal, sempre é um prazer estar aqui discutindo esses assuntos. Acredito ser importante, e mais pessoas pelo menos saberem que existe, e que muitas vezes as pessoas realmente creem em seus juízos, de modo a não ser questionável, e se não o ouvimos e julgarmos ao nosso juízo, estaremos longe de aliviar a dor psíquica que aquele indivíduo sofre, e só por ouvir e entender, de certa forma, já estamos ajudando.
Obrigado a todos pela leitura! Estou aprendendo ainda a escrever posts, não tenho esse costume, peço desculpas se ficou extenso, ou massante. E claro se tiverem questões, ou qualquer coisa, fiquem à vontade nos comentários.
“É necessário repoetizar os documentos do passado para restituir a fé no Outro, qualquer que tenha sido seu ponto de origem; é preciso dar-lhe um ponto de horizonte, quer seja ao real do trauma ou à debilidade fantasmática...”
J. J. Tyszler