“O ser humano não é monogâmico e isso é natural.” Quando eu soltei essa frase em um grupo de amigos pela primeira vez, há muitos anos, me chamaram de louca, imoral e promíscua! Eu disse isso na maior inocência mesmo, seguindo a minha própria natureza, pois nunca vi problemas em me relacionar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
Difícil era explicar essa conduta para os outros. Mas em geral, sempre levei a vida assim e considero que isso foi o melhor pra mim. Tive ótimos relacionamentos e não tenho do que reclamar.
E a respeito desse assunto, eu li um artigo no qual um sexólogo espanhol, chamado Manuel Lucas Matheu, afirma que, de acordo com seus estudos, os humanos, mais especificamente do Ocidente, só aderiram à monogamia por uma questão econômica, por falta de tempo e recursos para manter mais de uma relação e, claro, por motivos religiosos e doutrinas que insistem em impor essa vida aos homens, alegando moralidade, entre outras razões.
Matheu também explica que estudou por meses uma comunidade localizada nas Ilhas Carolinas na Micronésia: os chuukies. Entre esse povo, que pratica poligamia, não existe o conceito tradicional de fidelidade e moralidade e nem mesmo a definição de ciúmes se aplica ali.
Além de tudo, os chuukies formam uma sociedade muito pacífica enquanto que a sociedade ocidental é muito agressiva e Matheu delega isso justamente à repressão que os ocidentais sofrem quanto à sua sexualidade.
Para mim, tudo isso faz o maior sentido. Claro, eu não sou nem de longe uma pessoa conservadora e não pretendo impor essa visão goela abaixo de quem é mais tradicional, porém, acho que se trata de uma questão que deve, ao menos, ser levada em consideração, pois considero saudável que certos tabus sejam rompidos.