Já está disponível no Spotify (e creio que em outras plataformas de streamings de música e lojas) o quarto e novo CD d'O Terno.
Para quem não conhece a banda, um breve resumo de apresentação antes de comentar o CD:
O Terno é um power trio experimentalista formado em São Paulo e, atualmente, formada pelo vocalista e guitarrista Tim Bernardes, pelo baixista Guilherme D'Almeida e o baterista Gabriel Basile (que substituiu Victor Chaves em meados de 2015). A banda começou fazendo covers de grupos como The Beatles, Mutantes e The Kinks, mas não tardou em lançar projetos autorais que caíram nas graças dos críticos e fãs. Rapidamente o grupo tornou-se conceituado e é uma das grandes referências da música independente brasileira.
Bem, dito isso, o novo CD do grupo já está disponível. Chama-se "atrás/além".
Para quem conhece o trabalho anterior d'O Terno, "atrás/além" mantém a sonoridade característica da banda, mas sem soar formulaico ou repetitivo. É confortante ouvir às composições do grupo que cria um som de originalidade nostálgica. Um som cuja característica brasileira se sobressai em cada nota composta por diferentes valores. A melancolia, a sinceridade, o pesar e a esperança que caracterizam nossas existências encontram representações melodias na afinidade cirúrgica do trio. Para isso, eles bebem da rica fonte musical brasileira. É possível perceber influências desde Erasmo Carlos até Os Mutantes no som d'O Terno. Trata-se de uma riqueza única e possível apenas numa daquelas combinações únicas que o universo é capaz de criar. É difícil imaginar que O Terno teria um som tão unicamente humano sem qualquer um dos membros que o compõem.
E se você ainda não conhece a banda, "atrás/além" é um trabalho bom para mudar isso. Mas, sendo perfeitamente sincero, tal como são as letras de Tim Bernardes (que também possui um ótimo e melancólico CD solo, #ficaadica), qualquer obra o grupo é um perfeito cartão de visitas. Além do novo CD, há os curiosos 66 (2012), O Terno (2014) e Melhor Do Que Parece (2016). É difícil escolher um favorito já que todos carregam riquezas únicas, do sertanejo ao rock, da MPB ao psicodelismo, O Terno apresenta uma combinação que não apenas resume a vastidão da música brasileira, mas também a complexidade dos nossos sentimentos em letras de vocabulário cotidiano, relacionável e sincero. Os temas, tão comuns, como anseios, medos, amores e desejos, são transmitidos em diferentes formas, sob diferentes percepções e perspetivas, recusando-se a serem apenas uma coisa. Tudo é belo e feio, bom e ruim. A complexidade real de sentimentos elaborada com uma musicalidade própria, carregada de identidade.
O Terno é uma banda que conheci apenas recentemente, cerca de um ano atrás, após eu me impor uma revolução na minha percepção musical. Tive que ouvir algumas vezes para entender a proposta e, só então, apreciar a banda. E hoje eu fico feliz por ter tido perseverança. A proposta pode ser, como foi pra mim, algo complicado de entender. Mas após o tempo investido, hoje vejo um valor que há muito não via na música. Algo realmente novo, impossível de achar em outro lugar ou de outra forma.
"atrás/além" mantém a ideia da banda com a mesma elegância dos trabalhos anteriores. A riqueza cotidiana do Brasil em formas melodiosas.