A sensação é de que temos que ser perfeitos. Ótimos empregos, diploma, relacionamento estável, corpos sarados e bronzeados, carro, casa própria, filhos e detalhe: tudo antes dos 35 anos, por favor! Somos constantemente bombardeados por perguntas indiscretas do tipo: “20 anos e não escolheu sua profissão?”, “ainda não se formou?”, “ainda está solteira?”, “ainda não casaram?”, “agora que casaram, quando vem o filho?”... A pressão vem da família, da mídia, dos amigos, do trabalho, de todos os lados. O resultado disso? Estamos ficando doentes.
Saúde mental nas Universidades
Ansiedade, Depressão e muitas outras doenças estão ameaçando a saúde física e mental da população e isso é muito grave. Em matéria publicada pelo Estadão, em setembro de 2017, psicólogos mostram que é cada vez maior o número de tentativas de suicídio dentro das universidades brasileiras. O esforço excessivo por boas notas, a grande quantidade de trabalhos acadêmicos e dificuldades financeiras são somente alguns dos fatores que contribuem para esse cenário. Como medida de prevenção, núcleos de ajuda estão sendo criados dentro das próprias instituições por alunos e especialistas.
As Redes Sociais
As redes sociais podem ser usadas para ótimas finalidades, inclusive para encontrar grupos de apoio e pessoas que passam por coisas parecidas com o que passamos em nosso cotidiano. Todavia, de acordo com matéria publicada pela BBC em maio do ano passado, uma pesquisa online feita pela Sociedade Real para Saúde Pública (RSPH, na sigla em inglês), onde foram entrevistadas 1479 pessoas entre 14 e 24 anos, mostrou que o Instagram é considerada a pior rede social para a saúde mental dos jovens, pois muitas vezes nos deparamos com posts preconceituosos, que reforçam a existência de um corpo e/ou uma vida ideal, que praticam bullying com determinados grupos e etc. Não acho que isso seja exclusividade do Instagram, mas tenho a sensação de que esse ideal de “mundo perfeito” é mais disseminado por lá.
Pressões estéticas – a ditadura da beleza
E o que falar sobre a ditadura da beleza? Anorexia, Bulimia e diversos outros distúrbios e transtornos alimentares, que também são responsáveis por causar severos danos à saúde física e mental, estão presentes na vida de milhões de pessoas pelo mundo. As mulheres são as maiores vítimas dessas pressões. Desde cedo somos fortemente incentivadas a sermos magras, ter pele e cabelos perfeitos, exaltar nossa feminilidade e tantas outras coisas que dia a dia nos deixam mais inseguras em relação ao nosso próprio corpo e vontade. São muitos os fatores que podem desencadear essas doenças, e a cobrança estética com certeza é um deles. Segundo matéria publicada no site O Tempo, os transtornos alimentares, que atingiam, em sua maioria, os mais jovens, estão atingindo também mulheres acima de 40 anos, justamente por conta de cobranças pessoais e profissionais excessivas.
A verdade é que vivemos uma realidade difícil em um mundo cheio de egocentrismo e muitas vezes nos esquecemos que cada indivíduo possui sua personalidade, seu ritmo, sua genética... por isso não devemos impor, nem a nós nem aos outros, padrões a serem seguidos ou cobrar que o outro se encaixe em uma realidade que não o pertence e que, as vezes, sequer existe. Cada um de nós trava batalhas diariamente no trabalho, com a família, nos relacionamentos, na vida. Sejamos compreensivos com as dores daqueles que fazem parte dos nossos círculos, mas também com os estranhos que cruzam nossos caminhos. E por fim, precisamos dar ouvidos as nossas próprias dores e procurar ajuda quando nos sentirmos sozinhos, perdidos, tristes, esgotados física e mentalmente... enfim. Não se deixe para depois.
Apesar da semana difícil, falar (e agora escrever) sobre isso foi bom. Me lembrei da canção “Mistério do Planeta” do grupo Novos Baianos e estou aqui repetindo, como num manta, que “vou mostrando como sou e vou sendo como posso”.
Boa sorte pra nós!
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