Afinal o que é a "área"?
Se estás a viver infeliz devido a uma decisão que tomaste aos 18 anos quando ainda não tinhas em tua posse todos os dados (e experiência) que te permitiriam decidir e escolher em conformidade, mudar de rumo não é sinónimo de falhanço mas sim de inteligência e coragem.
Refiro-me a áreas do conhecimento, de especialização e consequentemente laborais.
O conceito de área está mais ligado a quem prolongou os estudos de forma a obter uma graduação superior ou quem prosseguiu uma formação profissionalizante. Outras pessoas são geralmente mais versáteis porque foram aprendendo e fazendo várias coisas ao longo da vida.
Mas o que temos hoje, por várias razões, são aqueles que se especializaram ou pelo menos começaram esse caminho, a querer mudar de área. Geralmente acontece por necessidade mas há quem queira simplesmente mudar porque descobriu que gosta mais de outras coisas ou porque descobriu que fazer aquilo que sonhou não lhe dá garantias de estabilidade ou de qualidade de vida.
Vejamos... mudar significativamente de área é diferente de derivar a sua situação profissional para algo que já fazia desde criança ou jovem. Por exemplo, há diferenças entre uma pessoa que se formou em direito e decide depois que quer ser piloto de aviões e uma pessoa que se formou em bioquímica mas acaba por seguir uma carreira musical porque aprendeu e toca um instrumento desde tenra idade.
Alguém está a agir mal? Não. Simplesmente uma destas pessoas tinha um plano B porque manteve um hobbie activo durante algum tempo. A outra pessoa não vai ter uma mudança tão suave mas isso não significa que vai falhar.
Porque as áreas são boas
Tudo precisa de especialização. Mutas coisas podem ser feitas com conhecimento básico e que advém da experiência mas até para essas coisas às vezes é preciso alguém especialista. Porém, há outras profissões que requerem conhecimento profundo e uma constante actualização. Há tarefas que não se fazem em part-time e cuja importância para a sociedade requer dedicação exclusiva, formação apropriada e perfil indicado.
(Não me importo que o meu médico tenha um negócio agrícola desde que ele vá a congressos, estude e esteja sempre actualizado nos avanços da medicina)
Porque as áreas são más
A compartimentação do conhecimento numa óptica de melhoria contínua não tem nada de mau. O que é muitas vezes prejudicial para as pessoas hoje em dia, é o facto de serem confrontadas com uma escolha pontual. Começamos com a pergunta "o que queres ser quando fores grande?", que molda o cérebro das crianças e as leva a pensar que só podemos ser uma coisa e que um dia vamos ter de fazer essa escolha. Continuamos com o sistema de ensino que sendo flexível até determinada fase requer depois que estudemos disciplinas específicas para conseguirmos entrar na universidade. Ajuda se uns anos antes tivermos escolhido a área certa... ciências, humanidades, economia, etc. Portanto se pensamos que aos 18 anos não sabemos bem o que queremos fazer no futuro, o que dizer uns anos antes disso quando nos começamos a encaminhar para uma área.
Somos nós que mandamos na área e não o contrário.
Já vimos que as áreas são fundamentais na estrutura da sociedade mas que também podem ser castradoras se não soubermos como lidar com a imposição de tomar decisões numa fase precoce da vida.
Feito o diagnóstico, avanço agora para reflexões misturadas com opiniões minhas.
Boas notícias:
É chato ir para a universidade, gastar dinheiro (geralmente dos pais), dedicar uns anos a estudar um assunto e um dia ter de dizer aos pais: "Vou mudar de área."
Há deles que percebem que hoje é natural e que a universidade é suposto ensinar a pensar, a investigar, a estudar... e que portanto contribuiu de qualquer forma para o que irão fazer a seguir. Outros pais não vão compreender nem aceitar com um sorriso na cara.
Continuação de boas notícias:
Há oportunidades em todo o lado e na maior parte das vezes não têm nada a ver com o que aprendemos na universidade, pelo menos do ponto de vista da posição laboral. Alguns cursos têm módulos de empreendedorismo, algumas universidades apoiam a criação de startups mas o que continua a vigorar na maior parte dos curricula e na visão do ensino superior é a formação de empregados.
Sais da linha de montagem de fabricar licenciados e podes pagar para entrar na linha de montagem de fabrico de mestres. Se tiveres mais dinheiro para investir, inscreves-te na linha de montagem para vires a ser um belo doutor.
Pode correr tudo muito bem ou pode não correr nada bem. A dada altura podes querer mudar de vida. Não adies.
Se estás a viver infeliz devido a uma decisão que tomaste aos 18 anos quando ainda não tinhas em tua posse todos os dados (e experiência) que te permitiriam decidir e escolher em conformidade, mudar de rumo não é sinónimo de falhanço mas sim de inteligência e coragem.
"Se naquela altura soubesse o que sei hoje..."
Pois, mas agora sabes. O que vais fazer quanto a isso?
Todos sabemos fazer bem algumas coisas apesar de não estarmos despertos para esse facto. Pensa como podes viver do que gostas de fazer. Pensa como podes continuar a trabalhar "na área" mas com boas condições. Como disse uma vez o Jim Rogers, se gostas de jardinagem podes ser um jardineiro assalariado a vida toda, mas também podes tentar abrir um negócio de prestação de serviços de jardinagem ou uma loja de produtos de jardinagem.
Última boa notícia, para despedida:
Por vezes não tens de mudar de área repentinamente. Começa devagar ou acumula com o que já fazes. Foca-te em sair de uma situação que não te agrada e novas opções surgirão mais claras na tua mente.
Já estás no Steemit! Eis uma oportunidade (que depende em grande parte de ti) para começares a construir uma base para um futuro melhor.
RMach