Você sabe o que é big data? Já ouviu falar sobre bases de dados gigantes? Por que isso é relevante para você?
O big data (“dados grandes”), é o nome simplificado para imensas bases de dados sobre os mais diversos assuntos. Atualmente informações são geradas em uma velocidade nunca vista antes. Fotos, vídeos, comentários, compartilhamentos, notícias em tempo real, preferências em pesquisas, todas essas coisas – dentre outras – são responsáveis por gerar dados a todo instante, ou seja, quantidades gigantescas dessas informações são coletadas e armazenadas a todo momento. Estamos vivendo uma era em que a informação é um ativo muito valioso. Muitas empresas já fazem o uso de diversos dados de clientes como forma de ganhar mais dinheiro, seja vendendo a informação para outras empresas de um nicho específico ou direcionando um produto personalizado para cada pessoa após alguns poucos cliques em um site de busca. Com este panorama surgem as dúvidas sobre quais os impactos que o uso desses dados gera, quais são as melhores formas de utilizar toda essa informação, de que modo gerar impacto e otimizar processos que demandariam maior esforço. E é sobre isso que vamos escrever nesse texto, mais especificamente iremos mostrar como o big data pode ajudar a melhorar a saúde no país.
Big data e prontuários médicos
Com o uso de uma grande base de dados torna-se extremamente mais fácil a manipulação de prontuários individuais, desta forma atendimentos são otimizados tornando-se mais rápidos e mais ricos em informação. No Brasil, principalmente nas localizações mais distantes dos grandes centros urbanos, onde a saúde é mais precária, a imensa maioria dos prontuários de pacientes são escritos em papel. Para os dias atuais armazenamento de dados em papel é um desperdício de tempo, espaço e recursos. Ocasionalmente as fichas são perdidas e é necessário refazê-las, o armazenamento em armários ocupa espaços que poderiam ser destinados a outras finalidades, como um ou dois quartos a mais em um hospital, ou uma maca a mais em uma unidade básica de saúde, além de colaborar para a procriação de mofos e ácaros em um ambiente que já é de alto risco de contaminação. Por fim, muitos quilos de papel poderiam ser poupados e consequentemente menos árvores seriam utilizadas para a produção da celulose. Fica evidente que o uso de ferramentas de dados otimiza todo o processo de armazenamento de informações de pacientes, podendo até mesmo, em um futuro próximo, existir uma troca de informações entre diversos hospitais ocasionando em uma ficha com histórico informacional sobre o paciente para que não seja necessário a abertura de uma nova ficha a cada ida ao médico.
Medicina de precisão
Atualmente a maioria dos conhecimentos médicos é baseada em grandes médias, ou seja, ao realizar uma análise de um novo medicamento ou procedimento é estimado o percentual de sucesso entre os indivíduos que foram submetidos ao teste. Por exemplo, uma metanálise recente verificou que o uso de novos anticoagulantes orais diminui o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e eventos embólicos sistêmicos em 19%. O problema dessa medida é que não houve diminuição de chance de ocorrência de 19% em todas as pessoas, mas sim a diminuição de chance em 100% em algumas e 0% em outras. Evidenciando que o medicamento é efetivo apenas para um grupo de pessoas. E daí?
Com o uso do big data é possível comparar o efeito de novas medicações em um número muito maior de amostras e a partir de então realizar segmentações dentro dessa amostra com a finalidade de identificar para qual grupo de indivíduos com determinadas características semelhantes o remédio é mais eficiente e indicado. Deste modo tempo e medicamentos seriam poupados, uma vez que, após determinar o quadro médico do paciente, seria possível compará-lo a outros semelhantes e rapidamente utilizar a medicação que melhor se encaixa em seu estado clínico com uma maior chance de assertividade no tratamento.
A Internet das Coisas na saúde
A internet das coisas é o conceito de que dentro de alguns anos a maioria dos nossos objetos eletrônicos serão interligados com a internet de forma a extrair a melhor experiência possível com esses instrumentos. O que isso quer dizer? Imagine “carregar” o seu carro com uma determinada quantia de dinheiro. Pronto? Agora imagine que você vai ao posto de gasolina abastecer e tudo que precisa fazer é colocar a gasolina no tanque e ir embora. Essa é ideia de a internet das coisas propõe, a ideia de que os objetos eletrônicos se comuniquem entre si. Você não precisou fazer nada além de colocar o combustível pois a bomba se comunicou com seu carro e já cobrou do valor que estava “pré-carregado”.
No âmbito da medicina é possível pensar na comunicação dos instrumentos médicos com bases de dados, seja para inserir novas informações, modificá-las ou compará-las com outras. De modo a garantir que novos conhecimentos sejam disseminados de forma instantânea e diagnósticos sejam realizados com maior rapidez e acurácia do que atualmente. Com a internet das coisas associada a prontuários inteligentes e medicina mais precisa podemos enxergar um panorama de maior dinamismo no setor da saúde no futuro.
Finalizando
É fácil notar que estamos envolvidos em um ambiente de mudanças tecnológicas e que muitas áreas serão afetadas nos próximos anos, a saúde é apenas um deles. Devemos nos atentar e nos adaptar a esse novo ambiente de mudanças e novas tecnologias para que possamos tirar o melhor proveito do que nos é fornecido e pensar em formas de ajudar as pessoas que precisam, tudo isso aliado a um custo baixo e uma maior efetividade.
Até mais pessoal!
Fiquem vivos!