Mais uma vez me surpreendo pelo vasto universo das artes, desta vez esbarrei no conceito "Macchiaioli" (ou manchistas, em pt), que é um movimento Italiano que buscou tirar o foco das artes do neoclássico e suas pinturas mitológicas e heróicas e também das paisagens vazias e melancólicas do romantismo para dar espaço então a situações mais reais e do cotidiano, pessoas trabalhando no campo, uma cena familiar, a luz natura e suas sombras, o dia a dia puro e verdadeiro. Existe ainda toda a técnica e métodos usados pelos manchistas, mas isso não vem ao caso agora, dado que não sou especialista. O que me pegou de jeito é o poder destas cenas.
E mais especificamente, o potencial de sensibilidade de Eugenio Zampighi. Um pintor italiano nascido em 1859 que teve um bom sucesso ainda em vida com sua arte tocante e intimista. A fase já consolidada de seu trabalho, onde pintou inúmeras cenas de interiores com retratos de famílias simples da Itália traz uma paz e bem estar, seja pelas expressões suaves e verdadeiras, ou seja mais profundamente pela emoção que traz ao retratar tão bem a vida simples do interior.
É quase impossível não pensarmos no nosso interior do Brasil. E digo com mais força, o interior que conheço. O sul tem uma certa força italiana que compôs o nosso passado e até hoje guarda marcas do modo de agir e pensar do povo. A figura clássica do "nono" ou da "nona", as cores fortes dos lenços, as roupas coloridas (também muito presentes na cultura polaca) e nesse caso das representações de Eugenio, a constante presença dos animais da roça tratados como animais de estimação, participando diretamente na relação da família!
Zampighi tem o poder de dar luz a uma espécie de caos controlado unido a simplicidade agradável de uma vida interiorana, que dispensa formalidades. Só posso olhar com carinho para uma arte tão sincera e tocante.
Obrigado por ler!
PROJETO BRAZILIAN POWER, SAIBA COMO AJUDAR E SER AJUDADO