Hoje, seguindo meus estudos dentro da área dos Enteógenos, trago para vocês uma pesquisa de ponta. O uso de micro doses de psilocibina para o tratamento de distúrbios mentais, tais como a depressão, ansiedade, pânico e stress pós traumático.
Como já relatei no Episódio 01 dos relatos, o Psilocybe Cubensis é um dos enteógenos mais populares conhecidos, é sabido seu potencial de alteração da consciência e seu uso tanto ritualístico quanto recreacional. Porém, já há alguns anos algumas pesquisas de ponta tem se tornado populares na psiquiatria experimental (não é o termo correto, apenas utilizo-o como um "senso comum"), onde tem-se observado um incrível potencial do uso de substâncias psicodélicas em micro dosagem como análogos/substitutos de medicações clássicas psiquiátricas em situações de crises emocionais e toda uma vasta gama de problemas dessa mesma dimensão.
Completamente fora do contexto até então abraçado pela enteogenia, o uso de substâncias psicodélicas fracionadas tem um viés clínico, de solução de problema e não de qualquer tratamento holístico espiritualizado. Com isso quero dizer que as pesquisas estão avançando para outra área, saindo da zona cinza de pseudo-ciência.
Nesse caso estou falando especificamente a respeito da Psilocibina, principio ativo do Cubensis e não de qualquer outra micro dose que também vem sendo pesquisada, como o LSD e o MDMA, até por que estes, queiram ou não, acabam tendo uma fama de droga mais forte que um cogumelo menos conhecido. Mas a base de pesquisa é a mesma, cabe apenas agora observar detalhes a respeito dos resultados e diferenças entre cada substância.
Uma experiencia psicodélica com cogumelos da espécie Psilocybe se baseia em mais ou menos 3 gramas (sendo essa uma experiência moderada), doses acima disso, como por exemplo 5 gramas são chamadas de "doses heroicas". Uma micro dose de psilocybe então é algo em torno de 0,3 gramas. Ou seja, uma quantia ínfima, porém ainda assim perceptível da substância.
É importante dizer aqui que não estou falando a respeito de dose homeopática (vulgo placebo), mas sim de uma fração pequenina de uma substância psicoativa. Que tipos de efeito temos então com uma doses dessa? Alguma coisa muito próxima de um remédio psiquiátrico de mecanismo ISRS (Inibidor seletivo de recaptação de serotonina). Porém sem vários dos efeitos colaterais comuns no processo de introdução ou retirada do medicamento. A primeira dose já mostra seus efeitos positivos no paciente, com maior clareza de pensamento, alívio do "fardo mental", relaxamento, energia, bem estar, controle de seus hábitos, entre outras coisas. Naturalmente não estamos falando de milagre, e eu nunca fiz pessoalmente um estudo aprofundado com a substância.
Minha experiência pessoal com a microdose de psilocibina foi de utiliza-la como um suplemento para retirada de medicação psiquiátrica, em outras palavras, este método me ajudou a se livrar dos brutais efeitos de retirada da Venlafaxina, um medicamento maravilhoso e poderoso que me ajudou numa fase de depressão, angustia e falta de foco, porém quando decidi-me por abandonar o tratamento precisei enfrentar seus efeitos colaterais duríssimos, como choques elétricos nas juntas, principalmente pulso e cotovelo, dor de cabeça agressiva, como uma enxaqueca de falta de cafeína em proporção maior, sensação de formigamento no cérebro (?!), sensação de perda de controle da própria consciência (??!!) entre outras coisas. A psilocibina em microdose foi ingerida dia sim dia não, enquanto diariamente eu ia diminuindo a dose da venlafaxina em micro-diminuições (o processo levou duas semanas e meia), dessa forma eu conseguia atenuar toda a crise, que era mais intensa nos dias que não utilizava a psilocibina. Na fase final quando faltava muito pouco para terminar a venlafaxina eu abandonei o suplemento de psilocybe para evitar qualquer acomodação (para não dizer dependência) dessa outra substância, porém é sabido na literatura médica que psilocibina não causa dependência de forma alguma, além de que a própria microdose precisa ser melhor estudada, dado que sabe-se que a psilocibina gera tolerância no ser humano, ou seja, depois de algumas doses de 0,3 g, possivelmente precisaremos de doses de 0,5 g para ter o mesmo efeito. Nenhum grande problema dado que isso é igual em quase todo medicamento psiquiátrico.
Porém, como eu disse, é uma pesquisa muito de ponta, pouquíssimo se sabe a respeito desse funcionamento, de questões de tolerância, questões de tempo de uso, malefícios e benefícios. Apesar de já existir um time de pesquisadores debruçado sobre o assunto, a microdose ainda é um viés experimental, ainda que científico. Muitas pessoas (como eu) souberam da existência desse conceito e decidiram-se por conta própria experimentar as substâncias, inclusive pesquisadores procuram por usuários do método para que estes respondam perguntas a respeito de seus experimentos. Existem cartilhas, kits de produção de microdose, sites a respeito. É algo que vem crescendo muito e certamente irá ganhar espaço em algum momento.
É fundamental deixar claro que estamos de fato saindo de qualquer área de uso recreacional. A pessoa que procura uma microdose (seja do que for) não está buscando dar risada e viajar. É muito mais semelhante ao conceito das E-drugs, ou em outras palavras as substâncias de aprimoramento cognitivo, de potencialização da percepção e cognição, algo que muitos procuram através da Ritalina por exemplo. Naturalmente que um não tem a ver com o outro, mas ambos buscam uma melhoria. A psilocibina porém, abraça um viés mais completo, onde visa o bem estar do paciente de uma forma geral. Ou seja, pessoas utilizam não apenas em tratamentos específicos para depressão ou pânico, mas também para corrigir níveis de humor e stress da sua semana.