Eu não escrevo poesia, meus caros, nem prosas e nem ficção. Minha onda é outra mas sou uma apreciadora desta arte: a literatura.
Há alguns dias, surgiu a proposta do #trovadores, pelas mãos da . A ideia é incentivar steemers a publicar seus textos poéticos. Todo um êxito!
Então, lembrei-me dos trovadores de outros tempos. Estrelas nas suas épocas, respeitados e odiados, falavam, em versos, não só de amores mas de política, de putaria, de atualidades, do dia-a-dia, do vizinho, da igreja, da monarquia, enfim, de tudo.
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Por conta disto, recorri aos livros e a delícia que vou lhes apresentar saiu de uma "antologia de poesia portuguesa erótica e satírica", muito bacana, feita por Natália Correia (uma papa gigantesca da literatura portuguesa).
Soneto
Morreu Bocage, sepultou-se em Goa!
Corai, moças venais, chorai, pedantes,
o insulto estragador dos consoantes,
que tantos tempos aturdiu Lisboa!
Sim, minha gente, este verso fala do Bocage, lembram-se? O ícone da poesia erótica.
Por aventuras mil obteve a coroa
que a fronte cinge dos heróis andantes;
ainda veio de climas tão distantes
à toa vegetar, versar à toa:
Sentiram aí mais uma gotinha de veneno?
Este que vês, com olhos macerados,
não é Bocage, não, rei dos brejeiros,
são apenas seus ossos desencarnados:
... e o gozo do desafeto.
Fugiu do cemitério aos companheiros;
anda agora purgando seus pecados
glosando aos cagaçais pelos outeiros.
Bem queria ele, né?! Seria a cereja no topo do bolo de qualquer inimigo XD
Este soneto é do Belchior Curvo Semedo (Portugal, 1766 - 1838), que odiava o Bocage, como bem percebemos.
Bora registrar na blockchain os trovadores de outrora, também :)
Os próximos que soltarei por aqui serão menos contidos, prometo!
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