Seria trágico se não fosse cômico! Esta frase se encaixa perfeitamente no que vou relatar e trata-se da minha experiência em dois terremotos.
Portugal sempre sofreu e sempre sofrerá terremotos. Situa-se bem próximo de uma fenda entre as tais placas tectônicas que, de vez em quando, se movem (aqui explicam direitinho).
O mais famoso, pela dimensão e pelo acúmulo de desgraças, foi o ocorrido em 1755. Lisboa foi arrasada e, como uma desgraça nunca vem sozinha, segui-se um maremoto e um incêndio.
Recriação do terremoto de 1755 em Lisboa
Muita gente morreu porque a cidade era uma armadilha autêntica do tipo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” e não houve muita chance de escapar.
Maquete da baixa lisboeta antes do terremoto de 1755
Caiu, literalmente, a Lisboa com traços medievais e ressurgiu uma cidade completamente planejada e cheia de alternativas arquitetônicos (ruas mais largas, praças, prédios em gaiola...) para minimizar futuros estragos caso voltasse a ocorrer um pacote do caos outra vez.
Reconstrução de Lisboa depois do terremoto de 1755 - parte de um programa exibido na RTP
Bem, na segunda metade de 2017, “vivi” dois terremotos de 3.2 e 4.9 graus na escala Richter, ou seja, deram uma sacudida boa e é nesta parte que entram as aspas que eu usei anteriormente: não senti nenhum dos dois.
Antes de explicar esta trapalhada, vale registrar duas coisas: (1) todos os passos que damos aqui em casa (que já tem mais de 100 anos), ela balança e (2) a nossa casa fica perto da estação terminal de trem🚂. Prosseguindo... no primeiro, minha estréia, já era noite e eu estava vendo TV na sala. Chegou um trem à estação, a casa balançou por alguns segundos e o deu um salto e gritou: SENTISTE ISTO?! A bonita aqui responde: Nossa, esse trem está mesmo pesado, deu até pra sentir aqui. 😕 Ele, que já passou por situações similares, olha com cara de assombro e riso e solta: É UM TERREMOTO, TATI! 😨 Continuei incrédula: foi nada! É o trem! 😒 Saímos pra sacada e demos de cara com todos os vizinhos debruçados nas suas janelas: sentiste isto, vizinho?! Sentiste?! Este foi dos grandes!... OK, foi um terremoto mas, como perceberam, cheguei atrasada.
No segundo, mais uma vez, fui impermeabilizada pela coincidência. No meio da tarde eu estava na cozinha e, sem querer, esbarrei numa caneca. A coitada se espatifaria no chão se eu não tivesse tentado salvá-la com os meus dons de ginasta e malabarista. Mais uma vez, escuto um grito que vem ao meu encontro: O QUE FOI ISTO!!!!😨 Tomei um susto, a caneca foi pro alto, esbarrei noutras tantas coisas altamente quebráveis e respondi com o coração na goela: Owww!!! Eu estava salvando uma caneca e você quase me faz quebrar todo o resto com esse grito! Nem era pra tanto! Pois é, nem era mesmo, era SÓ outro terremoto que eu nem me dei conta. 😏
Estes dois episódios me fizeram lembrar de um clássico na vida de muitos de nós. Sabem quando conhecemos alguém e, no meio da conversa, descobrimos que, no passado, frequentamos os mesmos lugares, conhecemos as mesmas pessoas mas nunca nos cruzamos??!!! Acho que é essa a minha relação com os terremotos lusitanos e, sem querer ser mazinha mas já sendo, até que tem graça😆
Agradecimentos e abraços steemitianos!
Excelente resto de domingo!