Nas últimas semanas os veículos de mídia Estadão, Folha de São Paulo, O Globo, Veja, Carta Capital, fizeram "entrevistas" com Olavo de Carvalho.
O citado autor tem sido considerado como uma das grandes influências pelo surgimento da "nova direita" no Brasil e como a citada corrente política foi a escolhida por maioria na última eleição do dia 28/10, é compreensível que os atores por trás da vitória eleitoral tivessem um maior destaque naquilo que se chama "mídia mainstream".
O citado autor fez questão de gravar as entrevistas na íntegra e publicar em seu canal do Youtube, prevendo o óbvio, que as entrevistas seriam editadas, manipuladas e sorrateiramente distorcidas. Constatar isso é simples. Basta ler a matéria "oficial" e depois assistir os vídeos no Youtube.
Cuidado! Se você está acostumado a pensar que por serem grandes veículos de mídia as marcas citadas são sinônimo de credibilidade, você pode se assustar...
Dois dos temas recorrentes na literatura produzida por Olavo de Carvalho são a dominância estratégica do marxismo cultural, tendo como um dos grandes expoentes o italiano Antônio Gramsci e também as estratégias globalistas (por favor, não confunda com globalização) que visam criar ou manter uma elite dominante internacional.
No entanto, a obra filosófica do mesmo não se restringe a isso, na verdade é bem mais ampla do que apenas o teor político.
Nenhum, absolutamente NENHUM dos entrevistadores leu qualquer dos livros do autor a quem decidiram entrevistar e publicar de forma mesquinha e distorcida.
É o legítimo apelo a ignorância, os supostos intelectuais brasileiros dizem que não leram uma obra X ou Y, e pelo fato de não terem lido eles declaram que a referida obra é inválida e desprezível e que os autores são desqualificados.
Mas esqueça Olavo de Carvalho...
Você já ouviu falar ou já leu algo sobre Mário Ferreira dos Santos ???
Olavo é duramente criticado pela mídia e pelos acadêmicos pelo fato de não ter um diploma de filosofia.
Mário Ferreira dos Santos era formado em Direito, trabalhou como tradutor em editoras em que traduziu direto do idioma grego, latim, alemão e francês obras de autores clássicos como Aristóteles, Pitágoras, Nietzsche, Kant, Pascal, Tomás de Aquino, entre outros.
Isso foi apenas o início!
Mario Ferreira dos Santos ainda viria a se dedicar quase que exclusivamente ao profundo estudo da filosofia. Quando cito um profundo estudo, me refiro a alguém que não apenas lê e repete os pensamentos de grandes filósofos, mas que é capaz de propor um tipo peculiar de filosofia própria.
Publicações:
- Filosofia da Crise, 1955
- O Homem perante o Infinito, 1955
- Filosofia e História da Cultura, 1962
- Análise de Temas Sociais, 1962
- Realidade do Homem, 1947
- Lógica e Dialética, 1954...
Estas e mais de uma dezena de obras compõem o pensamento do referido autor.
Este autor brasileiro no entanto é simplesmente ignorado no meio acadêmico nacional em que para garantir um diploma de filosofia basta a leitura (????) e concordância das teses marxistas e o superficial entendimento de Michel Foucault. Isso não é uma generalização obviamente, penso que existam muitos verdadeiros estudiosos dentro da academia, infelizmente eles estão longe de ser a maioria.
O ostracismo de Mario Ferreira no meio acadêmico aparelhado e dominado por militantes disfarçados de professores (novamente, sem generalizar) e seus discípulos é bem explicado, afinal, é um brasileiro que em sua obra não faz uma defesa cega de teses marxistas mas que abrange diversos outros assuntos relacionados a história humana, mas a total ausência de conhecimento de suas obras por parte de jornalistas que se dizem "imparciais" ideologicamente é ridícula e patética.
Em um país em que é preciso explicar para estudantes de Direito que um determinado político que ocupa cargo eletivo não pode ser facilmente preso por causa do chamado foro privilegiado (foro especial por prerrogativa de função), onde Mestres diplomados em Engenharia de Software pouco ou nada sabem sobre a real rotina de desenvolver e manter software e onde diversos outros profissionais gritam e mostram seus diplomas como única fonte de sabedoria ao mesmo tempo em que desprezam os resultados concretos que podem produzir em áreas específicas do conhecimento, acaba se tornando perceptível o motivo pela qual um governo que comandou a nação e teve forte influência intelectual de José Dirceu e seus pares foi prontamente aclamado como coerente e como a mudança democrática necessária. Como se realmente a alternância entre PT e PSDB fosse a representação de uma democracia legítima.
Os "frutos" da intelectualidade esquerdista e "diplomada" todos sabem.
O Brasil é um país falido em educação mesmo investindo tanto ou mais que países desenvolvidos nessa área, vide os resultados que são obtidos nos diversos testes internacionais. O patrono da educação brasileira é Paulo Freire.
Paulo Freire e suas teses são amplamente aceitas em meios acadêmicos do Brasil, seus seguidores aclamam sua suposta fama mundial como educador, no entanto, as evidências do sucesso global de sua pedagogia crítica são escassas. Implementar o ideal pedagógico de Paulo Freire nada mais é do que implementar ideologia marxista na educação.
Se a maioria dos "intelectuais", "jornalistas" e "acadêmicos" tivesse um conhecimento minimamente razoável de teóricos marxistas como o agora tão citado Antônio Gramsci, se buscassem se informar adequadamente sobre a Escola de Frankfurt, seus idealizadores e suas teses, talvez Olavo de Carvalho fosse apenas mais um a escrever sobre tal conteúdo e talvez pudesse existir algum tipo de debate.
Se a maioria dos "intelectuais", "jornalistas" e "acadêmicos" tivesse interessada na simples percepção da realidade, em que movimentos LGBT's estão descaradamente sendo formados e usados para fins políticos, tal como são usados movimentos negros e feministas, se a auto-proclamada elite cultural tivesse uma real preocupação em relação aos fenômenos sociais, talvez soubessem a origem de movimentos como a Teologia da Libertação com forte influência dentro da igreja católica e o movimento semelhante da Teologia da Missão Integral dentro de igrejas protestantes tradicionais, em que o as teses marxistas tem tanto ou mais autoridade do que a bíblia.
Mas... para os "pensadores" acomodados escondidos atrás dos crachás da grande mídia ou dos diplomas universitários é mais simples, mais rápido e mais fácil dizer que tudo não passa de teoria da conspiração.
É mais simples copiar e colar os artigos e opiniões uns dos outros num ato de masturbação intelectual coletiva do que estudar as teses que de fato estão embutidas na cultura brasileira a décadas e que influenciam movimentos de norte a sul do país e também em vários lugares do mundo.
Para os "pensadores", é mais fácil nadar a favor da corrente ideológica majoritária que defende de forma simplista o feminismo de universitárias ricas bancadas pelos pais trabalhadores, empresários e "porcos capitalistas" do que entender o motivo pela qual autores como Jordan Peterson tem tornado seu livro 12 Regras para Vida um best-seller internacional. Aliás, a maioria sequer sabe sobre Jordan Peterson.
Buscar defeitos pessoais, erros de cálculo, vídeos ou afirmações esquizofrênicas de um autor em posts do Facebook ou vídeos do Youtube tem um abismo de diferença de uma real leitura e estudo das obras do autor, para aí então fazer uma crítica sobre, o que seria o papel jornalístico.
Caberia a elite diplomada e intelectual, ler e refutar as teses do mesmo para aí então desprezar suas afirmações.
Não se vê absolutamente nada disso! Apenas o velho apelo a ignorância. Se não conheço ou não concordo, então não presta.
Que se busque saber sobre a vida pessoal de grandes filósofos ou cientistas como Nietzsche ou Tesla e curiosidades no mínimo estranhas serão descobertas, o que em nada compromete sua obras filosóficas ou descobertas científicas.
O alento que se tem em meio a este cenário é que existe uma outra possível e provável motivação para tantas matérias distorcidas na grande mídia e para tantos ataques da academia contra alguns indivíduos, a motivação de saber que suas ideias anteriormente hegemônicas estão agora ameaçadas e que muitos daqueles que discordam do pensamento de esquerda, discordam justamente porque fizeram o básico, leram as obras dos autores de esquerda, leram também os autores divergentes e chegaram a uma opinião baseada na análise das teses diante dos fatos da realidade.
Diante de disso, fica a partir de agora cada vez mais difícil sustentar o conto de fadas marxista e todas as suas vertentes que escondem logo abaixo da superfície uma ideologia perversa e carente de coerência e humanidade.