Existe um tempo de espera, uma sincronização, uma necessidade extra de concentração!
Hoje, saltar para o Douro do tabuleiro inferior da ponte D.Luís I, requer um doutoramento em cinética avançada...
Desde o equilíbrio no braço de um tabuleiro, que oscila como varas verdes com o movimento dessincronizado de centenas de turistas, à concentração necessária no meio de tanto linguarejo e click e o sentido de oportunidade e sincronização para não aterrar em cima de um rebelo, rooftop de um cruzeiro ou até mesmo numa lancha apinhada de camones histéricos agarrados ao pescoço....
Há que dar o devido mérito.
Idos são os tempos em que bastava tê-los no sítio... hoje é preciso disciplina!
Mas porque o fazem?
Porque está calor? por divertimento? porque desde que foi construída, a ponte se tornou num ponto de encontro para se fazer aquilo que sempre se fez? saltar para o rio! quem nunca o fez? quem nunca saltou para o rio? do cimo de uma árvore, de um calhau ou até mesmo de uma ponte....
Isto é o que muitos mortais fazem.... saltam para o rio! não interessa porquê.
Mas refiro-me a estes saltos em concreto, porque não são simples e muito menos concretos...
Estes saltos de 20m inspiraram uma curta metragem Meninos do Rio do realizador espanhol Javier Macipe, e têm um importante destaque no famoso Aniki Bóbó (1942) do nosso veterano Manoel de Oliveira.
Muitos foram os que tentaram imitar estes "Meninos da Ribeira"... mas não vieram à tona!
