Eu cresci em uma casa simples, criada por uma família simples. Aos 6 anos perdi minha mãe, fui criada pela minha vó e tia - meu pai trabalhava e morava sozinho e muito longe do restante da minha família. Minha avó adoeceu quando eu tinha 15, e então foi minha vez de ajudar a cuidar dela.
Aos 20 anos minha vó faleceu, na minha frente, um dia após meu aniversário. Aos 21 desenvolvi dois problemas de saúde, um deles uma doença rara que mudou minha vida completamente. Aos 22 terminei a faculdade e descobri tratamento para minha doença. Aos 23 comecei a reconstruir minha vida - em especial, a social. Aos 24 me apaixonei e me decepcionei. Aos 25 decidi que precisava fazer algo para dividir as águas da minha vida, algo que revolucionasse a minha história.
O que eu queria mesmo era uma chance de me conhecer, ir para um lugar novo onde ninguém me conhecesse também, onde eu pudesse estudar e voltar para o Brasil mais confiante para trabalhar, ter uma vida social finalmente, correr atrás dos meus sonhos, ser feliz.
Eu não tinha grana, intercâmbio pra mim era coisa de rico, e me faltava muito pra ser rica. Depois de muita pesquisa online descobri um tal de Intercâmbio de Au Pair. O que nada mais é que uma chance de morar na casa de uma família gringa em troca de alguns benefícios, um deles era uma ajuda para estudar.
Para minha alegria, o valor era acessível, então guardei meu suado salário minimo e corri atrás do que precisava: passaporte, certidões, carimbos no passaporte, exames médicos.
E para a minnha sorte, encontrei uma família holandesa disposta a pagar pelo meu visto e passagem aérea.
Não poderia ser melhor, eu não precisaria deixar dívidas, pois eles iriam me ajudar com os custos do intercâmbio.
Cortar o cordão com a família não foi fácil, eu precisei de meses para contar para todo mundo o que estava prestes a fazer. Era a primeira vez na vida que eu passaria tanto tempo longe, no caso, um ano completo.
[ continua no próximo post ]
Obrigada por ler,
Bianca.