Um passatempo que eu tenho desde que eu era adolescente é escrever histórias de terror, inclusive eu já tenho algumas delas publicadas em um blog na Odysee. Se você gostar, pode ler mais aqui. Por isso, pensei que talvez seria interessante postar algo relacionado por aqui também.
Essa é uma pequena coletânea de microcontos (contos com até dois parágrafos de tamanho), que eu pretendo continuar futuramente. É um estilo de escrita que eu nunca treinei antes, então talvez pareça um pouco... incômodo... à primeira vista...
Espero que gostem:
É tão bom acordar com uma massagem bem feita. O que me assusta é que são 2h da manhã e eu moro sozinho...
Ontei saí para jantar com um cara da internet. Ele ficou contando vantagem sobre o quanto ganhava, sobre o quão bom era com as garotas e sobre aqueles músculos firmes que ele construiu com anos de academia...
Ele foi uma janta maravilhosa, mas a carne estava um pouco sem gosto. Talvez ele devesse ter maneirado com os anabolizantes...
Eu gosto de plantar flores. Tulipas, rosas, girassóis... Todas tem aromas fantásticos, e uma beleza incomparável. Mas o melhor delas é com certeza o fato que ajudam a disfarçar a cova de um cadáver...
Minha esposa morreu há seis anos, mas todos os dias eu vejo seu belo rosto e contemplo nossos anos felizes juntos... Mesmo assim, ainda acho que talvez fosse melhor jogar a cabeça dela fora, ocupa muito espaço no freezer...
Talvez eu devesse parar de falar com meus pacientes, meus colegas já estão murmurando sobre um legista que fala com cadáveres.
Todos os dias eu entro naquela obra com minha pequena mochila carregada, e todos os dias eu saio com ela completamente vazia. Talvez fosse mais rápido se eu jogasse ele inteiro no concreto, mas aí os pedreiros iam perceber que eu estou desovando um cadáver...
Sempre que eu acordo de manhã eu faço um café, pego um donut e leio as notícias do dia. Hoje eu acabei derrubando meu café ao ver o meu nome e a minha foto no obituário.
Sempre que eu vou ao trabalho meu ônibus passa pelos mesmos lugares. Cafés, bazares, lojas... É uma sensação única a que você sente ao passar pelas ruas estreitas e pelas casas charmosas. A sensação é ainda melhor quando você esquece que todos estão mortos...
É incrível como esse pastor grita sobre o quanto o diabo é ruim e sobre todas as coisas ruins que o diabo faz. Dia após dia ele faz o mesmo discurso, berrando das sete da manhã até as oito da noite sobre o quão maligno é o diabo. Às vezes até parece que ele esquece quem deu isso tudo para ele. Mas não tem problema. É exatamente por isso que eu venho todos os dias nesse culto. De todos os meus contratos, esse é o cara mais irritante com quem eu já negociei, e é por isso que eu faço questão de anotar tudo que ele fala para poder cobrar ele quando o tempo dele terminar.
Meus pais sempre me diziam para não conversar com estranhos porque eles poderiam me sequestrar. Pena que minhas vítimas não escutavam seus pais...
Para tranquilizar minha filha, que chorava por causa do fantasma dentro do quarto dela, eu deixei ela dormir na minha cama. Mas, no dia seguinte, me lembrei que não tinha filha...
Todos os meses eu tinha que executar os traidores do nosso país, e eu nunca tremi com uma arma na minha mão, muito menos errei um tiro. Talvez seja por causa disso que os olhos de cada membro da minha família ainda olham para mim fixamente nos sonhos, esperando que eu puxe novamente o gatilho
Ser devorado vivo por uma criatura centenas de vezes maior que você é um dos piores pesadelos que alguém pode ter. Caso você seja um polvo, como eu, o pesadelo pode virar realidade...
Eu sempre fui um vagabundo, sempre preferi me divertir a ficar trabalhando. Então pense qual não foi minha surpresa ao descobrir que, como legista, era mais fácil e divertido eu mesmo cometer os crimes e descrever como a pessoa morreu do que ficar tentando entender o que aconteceu?
Sempre a mesma festa, sempre o mesmo bar, sempre as mesmas pessoas... Eu sempre odiei reprises, e talvez seja por isso que a minha tortura no inferno seja reviver todos os dias a noite em que eu morri.
Eu nunca sei o que é pior: se é ter que gastar vinte minutos em uma blitz às duas da manhã ou se é garantir que os policiais não vejam a garota amordaçada no porta-malas.
O trabalho como coveiro é realmente um saco. Felizmente, hoje aconteceu um sepultamento. A carne do cara do mês passado já estava ficando com gosto de borracha...
Acordar em uma calçada junto com uma garota aleatória foi a coisa mais estranha que já me aconteceu. Eu planejava roubar seu rim, e lhe dei um boa-noite-cinderella, mas acho que ela teve a mesma ideia...
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