Ontem saiu nos jornais o relatório do Banco Mundial, órgão financeiro internacional que realiza empréstimos a países em desenvolvimento, como é o caso do nosso Brasil. Nesse relatório, o Banco Mundial faz um diagnóstico (que todos nós aqui já sabíamos) da situação financeira do Brasil. Dentre os itens apresentados, os que mais chamaram a minha atenção foi o fato do apontamento do banco para duas tristes realidades de nosso país:
Servidores públicos recebem salários até 67% a mais do que um funcionário do setor privado no Brasil.
O subsídio do governo às grandes empresas como perdoamento de dívidas, corte de cobrança de impostos e até empréstimos do governo a essas grandes empresas para que elas possam montar as suas unidades no Brasil é algo surreal.
Para mim, esses dois apontamentos não são novidade e sobre esses dois pontos eu gostaria de refletir aqui em meu texto.
1. Servidores Públicos no Brasil recebem salários que superam em 67% os salários de servidores do setor privado.
É uma triste realidade. Por isso que aqui no Brasil a "indústria dos concursos públicos" cresceu tanto nos últimos anos. Hoje um jovem brasileiro após terminar a faculdade não pensa em exercer a sua profissão no setor privado em sua maioria, mas sim em estudar para passar na prova de um concurso público.
É compreensível até, pois o salário de um funcionário público no Brasil é "astronômico" (entre R$ 3.000,00 podendo chegar a R$ 20.000,00) , a carga horária de trabalho é bastante reduzida (em média 6 horas por dia ou menos dependendo do órgão que ele trabalhar). Sem falar de todos os benefícios que uma carreira pública dá a um cidadão que entra no serviço público como desconto para se comprar casa e carro. Muitas empresas estatais dão planos de saúde familiar e auxilio escola para os filhos de funcionários públicos.
Ser funcionário público no Brasil é quase como ganhar na Mega Sena (em Portugal, o Euro milhões)!
Poucos são aqueles que percebem que essa conta terá que ser paga por alguém e nesse caso é por aquele funcionário "médio" do setor privado que trabalha no mínimo 8 horas e muitas vezes 12 horas por dia e recebe um salário minimo que mal dá para fazer a feira da semana.
2. Subsídios, empréstimos e perdoamento de dividas por parte do governo à grandes empresas que se instalam no Brasil.
Ah... protecionismo e monopólio. Algo que o governo brasileiro faz tão bem como nenhum outro país no mundo consegue fazer. O governo aqui para poder "proteger o mercado brasileiro" contra as empresas estrangeiras (que tem produtos muito mais baratos e de qualidade) dá para as empresas nacionais diversas formas de incentivo como empréstimos, corte na cobrança de alguns impostos e até muitas vezes perdoam dívidas adquiridas por elas.
Incentivos muitas vezes articulados por políticos em troca de algum favor, apoio nas próximas eleições e algum "dinheirinho".
Por isso é comum aqui no Brasil explodirem a cada semana ou mêses casos de corrupção envolvendo políticos e grandes empresas. O protecionismo, a manutenção a todo custo de um monopólio, o corporativismo (que não é capitalismo, isso irei tratar em um outro post), o "capitalismo de compadre" são tudo características de um sórdido "jeitinho brasileiro" de se fazer e manter negócios nesse país.
No final das contas (e como sempre) quem paga todas essas contas em manter um serviço público milionário, ineficiente (a classe improdutiva do país, pois não produzem nada), prepotente e uma política governamental de negócios falhos que somente fomentam a corrupção e não trazem benefício algum para a população é sempre o povo. O povo no final sempre é quem sofre.