Na minha infância a minha casa era uma fábrica de cúpulas, abajur, eu acordava e dormia em uma fábrica.
Tinham poucos funcionários, na verdade só me lembro de seis, o Assis que era o soldador, o Márcio que ficava entortando os arames para o Assis soldar, o Edson que recortava as cúpulas, a Adriana e a Vera que ficavam nas mesas colando as cúpulas e a Geralda, que era a pau para toda obra.
A cúpula era exatamente igual à imagem acima, nossa que viagem no tempo, dá até para sentir o cheiro da cola de madeira, sim, o Edson recortava as cúpulas e a Adriana e a Vera colavam com cola de madeira, juntavam as duas partes, até os frisos dourados eram colados com a cola de madeira. A casa, que era a fábrica, cheirava cola de madeira. Eu e a minha irmã ficávamos brincando com as cúpulas, com a cola de madeira, com os estiletes, com a máquina de solda...
Era uma empresa familiar, o Edson e a Adriana (que é irmã do meu amigo), são casados até hoje e se conheceram na minha casa, na fábrica.
Agora um capitulo a parte, a Geralda.
Uma piauense brava, muito brava mesmo, mas que uma ou duas vezes por ano, trazia uma fruta do Piauí. É exatamente essa fruta que me traz as lembranças dessa época. A Geralda era muito mais brava do que a minha mãe e o meu pai, ela dava medo mesmo. Faz uns 20 anos que não a vejo. Atualmente minha mãe acha que ela está aposentada e morando no Piauí.
Minha mãe comprou hoje em São Paulo essa fruta e me trouxe muitas recordações. Uma pequena fruta com muitas histórias para contar, eu era novo, não me lembro de muitas.
Não vou falar o nome da fruta, quero ver quem conhece.
OBS.: cautela ai @jsantana e @cleateles, vamos ver se o povo do sul acerta.